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Como recomendar produtos sem perder a confiança do público
Vou começar com uma coisa que talvez você não goste de ouvir: o seu público sabe que você ganha comissão. Sabe, sim, mesmo que você nunca tenha falado disso. Qualquer pessoa que já comprou alguma coisa pela internet viu link com cupom, viu "link na bio", viu blogueiro elogiando panela e já entendeu como a coisa funciona. Então a pergunta não é se o público vai descobrir, e sim o que ele vai pensar de você quando juntar as peças.
E é aí que muita gente se perde. Eu já vi muito perfil bom, com leitor que gostava de verdade do que ele falava, virar vitrine em poucos meses. Ninguém fez nada de errado num dia só. Foi uma indicação meio forçada aqui, um elogio exagerado ali, um produto que ele nem usou direito, e quando viu, os comentários tinham mudado de "valeu pela dica" pra "quanto te pagaram?".
O perfil que ama tudo
Você conhece esse tipo. Segunda é um creme que mudou a vida, terça é um curso que mudou a vida, sexta é um aplicativo de investimento que, adivinha, também mudou a vida. Sempre com cupom. Coincidência total, claro.
O problema desse perfil não é a comissão, é que ele parou de escolher. Quando tudo é ótimo, nada é ótimo, e o leitor não tem como saber qual indicação vale e qual está ali só pelo dinheiro. Aí ele faz o mais simples, que é desconfiar de todas, inclusive das sinceras. E isso, sinceramente, é o que mais me irrita nesse mercado, porque quem paga a conta é quem trabalha direito.
Falar que é link de afiliado
Muita gente tem medo. Acha que se escrever "ganho comissão", o leitor fecha a página na hora. Eu penso o contrário e vou te mostrar com uma cena que todo mundo já viveu.
Você senta no restaurante; o garçom chega e fala baixinho: "Hoje eu não pediria o peixe; a carne está melhor." Na hora você passa a confiar nele a noite inteira, pede a sobremesa que ele sugerir e nem olha o preço do vinho. Por quê? Porque ele mostrou que não está ali só pra empurrar o prato mais caro. Avisar do link faz a mesma coisa, e quem não esconde nada parece ter menos motivo pra mentir.
Ah, e não é só questão de confiança. Em maio deste ano, o CONAR atualizou o guia de publicidade com influenciadores e lá a comissão conta como ligação comercial com a marca. Traduzindo: ganhou por indicar, é publicidade e tem que estar identificado (com #publi, por exemplo) num lugar que a pessoa veja sem clicar em "mais".
Não precisa de texto de advogado. Algo como "se você comprar por esse link, eu ganho uma comissão e o preço pra você não muda" já resolve. O que eu evitaria, como leitor mesmo, são essas coisas:
- "link de parceiro" escondido no rodapé, em letra cinza clarinha;
- "não é publi, eu só amo mesmo" (todo mundo sabe que é);
- Um aviso tão comprido e cheio de palavras difíceis que ninguém lê até o fim.
Contar o defeito
Parece loucura no começo falar mal do que você quer vender. Mas pensa comigo: se alguém te diz que um celular é perfeito em tudo, você acredita? Eu não. Agora, se a pessoa fala "a bateria aguenta o dia todo, mas o carregador é lento demais e me irritou a semana inteira", aí sim parece que ela usou de verdade.
Todo produto tem um defeito e o leitor sabe disso. Se você não conta, ele descobre sozinho depois da compra e a culpa cai em você. Se você conta antes, ele compra sabendo e, quando o carregador lento aparecer, vai lembrar que você avisou. E vai voltar ao seu texto da próxima vez que precisar de alguma coisa.
Às vezes o defeito é tão grande que não dá pra indicar. Dói largar uma comissão boa, eu sei. Mas um texto dizendo "testei esse, não gostei, fiquei com aquele outro" costuma convencer mais do que dez textos elogiando tudo, porque o leitor sente que você estava do lado dele.
Tem coisa que estraga a confiança aos poucos, quase sem barulho, e dá pra resumir assim:
E quando o produto é aposta
Com iGaming, que é o mercado de apostas e cassinos online, tudo isso pesa o dobro. Aqui ninguém está comprando uma panela. A pessoa está colocando dinheiro dela num jogo em que a casa leva vantagem no longo prazo, e quem vende aposta como jeito de ficar rico pode até ganhar comissão no começo, só que queima o público num instante (e, na minha opinião, merece queimar).
O jeito honesto é falar de aposta como diversão que custa dinheiro, igual ao cinema ou ao estádio. Dá pra explicar bônus, comparar casas, mostrar o que cada uma tem de bom e de ruim, sem prometer lucro e sem empurrar ninguém pra jogar mais do que pode perder. E lembrando sempre que é coisa pra maiores de 18.
O programa que você escolhe também conta. No Pin-Up Partners, por exemplo, você tem um gerente pessoal e um painel com as estatísticas de cada link, e eu usaria esse painel pra uma coisa que pouca gente olha: se as pessoas que vieram por você continuam jogando de boa ou se somem logo depois do primeiro depósito. Isso diz muito sobre o público que você está trazendo e sobre o jeito como você fala com ele.
Dizer não
Uma hora chega a proposta. Produto que você não usaria nem de graça, comissão alta, empresa insistindo. E vem aquela vozinha: só uma vez não faz mal.
Faz, e não porque uma indicação ruim acaba com tudo de uma vez. Ela abre a porta pra próxima, a próxima abre pra outra, e quando você vê, está elogiando coisa que nunca usou, pior, nem percebe mais que está fazendo isso. Confiança é igual a conta fiada na padaria do bairro: o dono deixa você levar o pão porque você sempre pagou, mas some uma vez com a conta em aberto e ele nunca mais te olha do mesmo jeito.
Então faz um teste agora, sem pensar muito. Dos links que você colocou esse mês, quantos você mandaria pra sua mãe?
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