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Estabilização da dívida exigiria consolidação fiscal de 3,5% do PIB, afirma Solange Srour
Relatório da UBS destaca desafios fiscais do Brasil
A estabilização da dívida pública brasileira exigiria uma consolidação fiscal da ordem de 3,5% do PIB, avalia a head de Macroeconomia do Brasil da UBS Global Wealth Management, Solange Srour. Em relatório, a economista afirma que, em um cenário de crescimento moderado e juros ainda elevados, as simulações indicam a necessidade de um superávit primário próximo de 2% do PIB para interromper a trajetória de alta do endividamento.
Como o ponto de partida, segundo Srour, seria um déficit primário estrutural estimado em torno de 1,5% do PIB, a diferença entre a situação atual e o resultado compatível com a estabilização da dívida implicaria um esforço fiscal de aproximadamente 3,5% do PIB.
A economista da UBS Global Wealth Management ressalta que os números dependem das hipóteses adotadas e devem ser lidos como “ordem de grandeza”, não como meta fixa. Ainda assim, o relatório sustenta que, sem melhora persistente do resultado primário, a dinâmica da dívida tende a permanecer adversa, sobretudo em um ambiente de custo de financiamento elevado.
O diagnóstico é contextualizado por indicadores recentes. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, alta de 4,2 pontos porcentuais ante o fim de 2025. Nos 12 meses até agosto, os juros nominais do setor público atingiram 8,86% do PIB, e o déficit nominal, 9,48% do PIB. A mediana do Prisma Fiscal aponta dívida bruta de 87% do PIB em 2027. A UBS ressalta que as métricas têm abrangências diferentes - o estoque considera o governo geral, enquanto juros e déficit nominal se referem ao setor público - mas, em conjunto, reforçam a leitura de pressão sobre a sustentabilidade.
Para a economista, o desafio não se limita ao tamanho do ajuste. A composição do esforço é tão relevante quanto sua magnitude. O relatório destaca que o Brasil enfrenta rigidez orçamentária, crescimento de despesas obrigatórias, pressões demográficas e pouco espaço para acomodar novas políticas sem compressão de itens discricionários, como investimento. “Nesse contexto, elevar o superávit primário preservando a proteção social e os gastos de maior retorno econômico é o ponto central”, observa Solange Srour.
Ela afirma que a consolidação fiscal não deve ser um fim em si mesmo, mas um meio para devolver ao governo capacidade de escolha.
“A rigidez do orçamento e a expansão automática de despesas comprimem a margem de manobra e limitam a gestão ao cumprimento de compromissos herdados. Um ajuste combinado a mudanças que reduzam esse engessamento poderia reabrir espaço para financiar novas políticas, ampliar as de maior retorno e responder a demandas que hoje disputam recursos escassos”, escreve a economista.
O relatório também aponta que a percepção de fragilidade fiscal pode retroalimentar o problema ao pressionar juros, desestimular investimento e reduzir crescimento - piorando as condições para estabilizar a dívida. Daí a recomendação de uma estratégia que una melhora do saldo primário a medidas para reduzir distorções e elevar a qualidade do orçamento, preservando a sustentabilidade com legitimidade social.
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