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Taxas de juros encerram em alta com cautela antes do 2º turno e escalada do petróleo
Cenário eleitoral provoca reprecificação nos juros futuros em meio a tensões internacionais.
O quadro de disputa acirrada entre o presidente Lula (PT) e o candidato do PL Flávio Bolsonaro segue levando agentes a reprecificarem o cenário eleitoral, o que manteve os juros futuros em firme alta nesta quinta-feira, 22. Profissionais relataram à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que players têm reduzido a exposição a risco à medida que as pesquisas seguem indicando uma melhora marginal de Lula, embora o cenário-base continue sendo a vitória da oposição.
Também aumentaram os receios, segundo agentes, rumores sobre um tracking do PT que mostrou empate entre Lula e Flávio, um segundo tracking que teria apontado uma virada do petista e, ainda, um "frio na barriga" com posts do deputado federal André Janones (Rede-MG), à frente do canal do WhatsApp "Exército do Lula". Janones vem questionando "quem é Mariana", sem indicar qual seria sua relação com Flávio, mas dando a entender que o senador será altamente prejudicado com a revelação que estaria se aproximando.
Apesar da queda dos rendimentos dos Treasuries, o ambiente global também não foi fonte de alívio à curva de juros, com o avanço das cotações do petróleo, que ganharam impulso e voltaram a superar o patamar de US$ 113, no caso do Brent, após nova escalada das tensões no Oriente Médio.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,479%, no ajuste da véspera, a 13,501%. O DI para janeiro de 2029 aumentou a 12,710%, vindo de 12,563% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 anotou alta de 12,602% a 12,720%.
Um estrategista relatou que, em conversas com gestores nesta semana, muitos afirmaram estar em dúvida sobre ficarem posicionados ou não em juros. "Não vi nada muito claro, mas acho que é o pessoal reduzindo exposição a risco para o segundo turno", disse sobre o aumento de prêmios nos DIs nesta quinta.
Segundo um outro estrategista, que também falou sob anonimato, a diminuição da "gordura" de Flávio nas pesquisas e um movimento natural de reduzir a exposição a risco antes do evento em si justificaram os ajustes de posições.
A Indexa/Broadcast mostrou Flávio com 45,2% das intenções de voto e Lula com 44,1%, em empate técnico. A PoderData/Aya apontou Flávio com 49% e Lula passou de 46% para 48%, também tecnicamente empatados. O mercado aguarda a Datafolha, prevista para as 19h.
"Temos o efeito do petróleo, mas a maior parte é reprecificação eleitoral. As pesquisas mostram avanço marginal do Lula em uma disputa bem apertada", afirmou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, para quem o mercado de renda fixa local está em um "equilíbrio instável". "Na segunda-feira teremos uma oscilação benigna ou para cima dos juros, com uma reponderação associada à eleição", comentou.
Mesmo antes do desfecho eleitoral, contudo, "muita gente montou posição, surfou nessa queda dos juros que assistimos e agora está realizando diante da incerteza antes do final de semana, que será um divisor de águas", disse Sanchez.
Nesta quinta, o Goldman Sachs informou que iniciou uma posição aplicada no vértice de janeiro de 2029. Segundo Kamakshya Trivedi, estrategista-chefe de mercados emergentes, a devolução recente do rali pós-primeiro turno levou a curva de DIs a um nível mais perto do que seria o valor justo, o que abre oportunidade para apostar em queda das taxas, especialmente no curto prazo.
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