Geral
SEEG: emissão líquida de gases na atmosfera cai 9% em 2025 e Brasil fica perto da meta
Meta de 2026 pode ser superada com baixa no desmatamento e mudanças no uso da terra
O Brasil alcançou uma significativa redução em suas emissões líquidas de gases de efeito estufa, totalizando 1,41 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) em 2025. Esse número representa uma queda de 9% em relação ao ano anterior, conforme dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. Este é o menor valor registrado desde 2012. A meta do país, denominada de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), estabelecia a limitação das emissões a 1,32 bilhão de toneladas de CO2 equivalente no ano passado.
A expectativa do Observatório é que a meta de 2026 seja não apenas cumprida, mas possivelmente superada, devido à redução do desmatamento, que atingiu o menor nível da série histórica. Em 2025, a maior contribuição para a diminuição das emissões líquidas veio de mudanças no uso da terra (48% da redução). Esse fator apresentou queda nas emissões, caindo de 44% em 2024 para 39% em 2025.
Considerando as emissões brutas, o SEEG relatou uma diminuição de 6% em 2025, após um recuo anterior de 13%. As emissões brutas nacionais foram de 2,06 bilhões de GtCO2e em 2024.
O SEEG apresenta, preferencialmente, as emissões brutas, que refletem a quantidade gerada na atmosfera. As emissões líquidas consideram o crescimento da vegetação secundária e a remoção de carbono em áreas protegidas, e são a forma como o governo reporta os esforços de mitigação.
A agropecuária permanece como o segundo maior setor emissor, mas com uma nova dinâmica. A pecuária observou uma redução de 1,68% em 2025, apesar de um aumento de 7,2% na produção de gado bovino. Por sua vez, a agricultura registrou um aumento das emissões de 6,45%, alcançando 132,1 MtCO2e. A diminuição nas emissões da pecuária, totalizando 494,1 MtCO2e, resultou em uma leve queda de -0,1% nas emissões totais do setor agropecuário entre 2024 e 2025, a menor variação desde 1970.
Resíduos
Apesar de representar menos de 5% das emissões totais, o setor de resíduos continua a ser o que mais cresce proporcionalmente na série histórica, conforme aponta o SEEG. "Isso se deve ao fato de as emissões desse setor terem uma relação direta com o aumento da população", explica o Observatório do Clima. O setor de resíduos registrou um aumento de 3,6%, totalizando 96 MtCO2e no ano passado.
Energia e transportes
No setor de energia, houve um leve aumento de 1,2% nas emissões no ano passado, impulsionado pela alta no consumo de diesel no setor de transportes. As emissões desse segmento continuam a alcançar novos recordes históricos, segundo Ingrid Graces, do Iema. O consumo de diesel cresceu 3% em 2025, enquanto o consumo de álcool subiu 4%. Contudo, o crescimento da frota de veículos neutralizou os benefícios do aumento do biocombustível. No total, o setor de transportes emitiu 228 MtCO2e, quase divididos igualmente entre transporte de carga (123 MtCO2e) e passageiros (105 MtCO2e).
No segmento de eletricidade, as emissões aumentaram 6% em 2025 em comparação a 2024. "Pela primeira vez, a geração solar superou as fontes fósseis, mas isso não evitou a ativação de termelétricas a gás. Além disso, em determinados períodos, parte da geração solar e eólica precisou ser reduzida devido ao excesso de oferta ou por limitações operacionais do Sistema Interligado Nacional", aponta o relatório do Observatório do Clima. Esta situação, conhecida como curtailment, expõe os desafios de integrar a creciente participação de fontes renováveis.
Felipe Barcellos e Silva, do Iema, destaca três aspectos cruciais que representam tanto oportunidades quanto desafios: garantir que o sistema elétrico esteja apto a aproveitar mais as fontes variáveis de energia renovável, expandir a frota de veículos elétricos sem desestimular o uso do transporte coletivo e empregar biocombustíveis de maneira estratégica para reduzir a dependência do diesel e da gasolina, que muitas vezes são importados.
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