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Protestos na Itália: Jovens que 'representem perigo' poderão ser mantidos até 12h em delegacias

Novas medidas de segurança estão sendo discutidas em meio a protestos violentos.

Estadao Conteudo 20/10/2026
Protestos na Itália: Jovens que 'representem perigo' poderão ser mantidos até 12h em delegacias
Manifestações europeias contra custo de vida ganham força na Itália e Portugal - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Itália está prestes a aprovar novas medidas de segurança, após partes do país serem palco de uma série de protestos violentos e saques registrados no fim de semana na Europa.

Segundo o jornal The Guardian, o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, afirmou que a polícia poderá manter menores de 18 anos em delegacias por até 12 horas - mesmo que não tenham cometido nenhum crime - desde que haja indícios de que representam um perigo.

"Queremos intervir rapidamente junto aos jovens", declarou Salvini à emissora de rádio RTL, antes de uma reunião de gabinete destinada a aprovar as medidas, que ainda não foram anunciadas formalmente.

Segundo relatos, o endurecimento das medidas de segurança incluirá também a proibição de aglomerações envolvendo pessoas consideradas uma ameaça à ordem pública.

Parte dessas medidas já consta na legislação italiana ou de um projeto de lei sobre segurança aprovado pelo Conselho de Ministros em julho e atualmente em análise no Senado. Por isso, as equipes jurídicas do governo ainda avaliam quais alterações poderão ser incorporadas ao novo decreto.

Insatisfação generalizada

Milhares de pessoas protestaram pacificamente contra o custo de vida em várias cidades do norte da Itália durante o fim de semana; contudo, algumas das manifestações tornaram-se violentas, com registros de participantes saqueando lojas e entrando em confronto com a polícia.

Centenas de manifestantes - muitos deles, ao que tudo indica, menores de idade - incendiaram lixeiras e saquearam estabelecimentos comerciais no centro de Milão, onde mais de 5 mil pessoas se reuniram ao longo do fim de semana.

No sul da Itália, agricultores e caminhoneiros têm bloqueado portos e rodovias em protesto contra a disparada nos preços dos combustíveis, decorrente da guerra entre EUA/Israel e Irã.

Até a noite de sábado, 17, as autoridades italianas não haviam divulgado um balanço oficial de presos e feridos. Segundo jornais locais, cerca de 50 pessoas foram presas em Milão e outras sete foram detidas em Bolonha. Ao menos um policial e aproximadamente 20 manifestantes ficaram feridos.

Entre os feridos está Angelo de Simone, dirigente da polícia e chefe de um comissariado, que sofreu um ferimento na cabeça.

500 militares em Milão

Na segunda, 19, o governo da Itália anunciou o envio de mais 500 militares a Milão para reforçar a segurança.

A medida foi antecipada pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, e deverá integrar um decreto-lei sobre segurança pública que o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni pretende analisar nesta terça-feira, 20, segundo a agência de notícias ANSA.

"Das palavras à ação! Mais 500 militares para proteger Milão. Uma vitória para a Liga", escreveu Salvini nas redes sociais. O vice-premiê também lidera o partido de direita Liga, que defende o endurecimento das medidas de segurança.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, condenou os episódios de violência, mas defendeu uma avaliação cuidadosa das circunstâncias dos confrontos. "Toda forma de violência é inaceitável", afirmou Mattarella, ao destacar a necessidade de uma "análise inteligente e aprofundada" e de uma vigilância capaz de combater atos violentos praticados por pessoas que até então não estavam envolvidas nesse tipo de episódio.

*Com informações de agências internacionais.