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Irã mantém impasse com EUA e amplia pressão sobre Trump antes das eleições de meio de mandato

Teerã teme novos ataques enquanto busca desgastar adversário político.

Sputnik Brasil 20/10/2026
Irã mantém impasse com EUA e amplia pressão sobre Trump antes das eleições de meio de mandato
Iraniano pressiona EUA antes das eleições, visando desacelerar diplomacia com Trump. - Foto: © AP Photo / Hadi Mizban

Autoridades iranianas afirmam que o Irã tem prolongado as negociações com os EUA para desgastar politicamente Donald Trump antes das eleições legislativas de novembro. Teerã também diz temer novos ataques de Washington e Israel, enquanto divergências sobre o programa nuclear e o estreito de Ormuz mantêm distante um acordo para encerrar a guerra.

O Irã tem prolongado deliberadamente as negociações com os EUA para enfraquecer politicamente o presidente norte-americano Donald Trump antes das eleições legislativas de novembro, segundo autoridades iranianas. Paralelamente, o temor de novos ataques militares e a desconfiança em relação a Washington aumentam a resistência de Teerã a fechar rapidamente um acordo que encerre a guerra.

Fontes iranianas teriam afirmado à mídia britânica sob condições de anonimato que a liderança do país acredita que Trump continua disposto a recorrer à força para romper o impasse do conflito, que já dura oito meses. Segundo uma das autoridades, a prioridade do governo iraniano é se preparar para possíveis ofensivas dos EUA e de Israel, e não oferecer ao presidente norte-americano uma vitória política às vésperas da votação.

Segundo a apuração, analistas apontam que a estratégia iraniana busca explorar as dificuldades políticas enfrentadas por Trump. A guerra, iniciada em fevereiro após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, contribuiu para a queda de sua popularidade, enquanto a alta dos preços da energia preocupa os eleitores norte-americanos e pode prejudicar os republicanos nas urnas.

Trump afirma esperar uma redução dos preços do petróleo após as eleições, mas ainda não apresentou um plano detalhado para encerrar o conflito e normalizar a situação no estreito de Ormuz, que permanece praticamente fechado desde o início da guerra.

A falta de avanços nas negociações também reflete divergências profundas entre as partes. Washington quer que o programa nuclear iraniano seja discutido desde o início das conversas, enquanto Teerã exige primeiro o cumprimento de condições previstas em um "plano de sete dias" — uma vez que Washington interrompeu deliberadamente as tratativas anteriores.

Por meio de mediadores do Catar, o Irã propôs reabrir a passagem marítima em até sete dias, embora mantendo seu controle sobre a área. Em troca, exige o fim do bloqueio naval norte-americano, flexibilização das restrições às exportações de petróleo, liberação de ativos congelados e o encerramento das hostilidades. Segundo o chanceler Abbas Araqchi, a oferta continua válida e mensagens seguem sendo trocadas entre as partes.

Autoridades iranianas sustentam que a falta de confiança em Washington foi reforçada por episódios anteriores que interromperam negociações como um ataque israelense que inviabilizou uma rodada de conversas nucleares em Omã, em junho de 2025, e a ofensiva lançada por EUA e Israel após outra rodada de negociações neste ano.

Para Teerã, manter a situação em suspenso permite pressionar Washington sem abandonar o discurso diplomático.

A estratégia tem elevado custos internos, porém, a desconfiança nos EUA hoje vai além do conflito atual e tornou improvável qualquer acordo duradouro, mesmo após o fim do governo Trump, consolidando a percepção de que não haverá retorno ao cenário anterior à guerra.


Por Sputinik Brasil