Geral
Cidades da França impõem toque de recolher parcial em meio a onda de protestos
Medidas foram adotadas após distúrbios em diversas regiões do país.
Paris terá toque de recolher parcial a partir desta segunda-feira (19), com restrições na Praça da República, um dos principais pontos de manifestações na capital francesa, informou a emissora BFMTV, citando autoridades.
A medida foi determinada pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, que anunciou a adoção de restrições noturnas em áreas centrais de algumas cidades do país em meio aos distúrbios.
Na capital, o toque de recolher valerá das 23h às 6h e abrangerá a Praça da República e as ruas próximas ao bairro de Les Halles. A restrição será aplicada a toda a população, não apenas a menores de idade, segundo a emissora.
Medidas semelhantes também serão adotadas em outras localidades, incluindo Nice e Lyon, além das cidades de Lille, Douai, Wattignies e Denain, no norte da França, e Couëron, no noroeste do país.
Os protestos começaram em meados de setembro, quando estudantes do ensino médio foram às ruas nos subúrbios de Paris para exigir melhorias nas condições das escolas. Posteriormente, pessoas insatisfeitas com a alta do custo de vida também aderiram às manifestações, que se espalharam por outras regiões.
O movimento ganhou grandes proporções na última semana, quando uma manifestação nacional terminou em distúrbios e saques. De acordo com o Ministério do Interior, cerca de 550 mil pessoas participaram do ato.
Durante os confrontos, grupos saquearam estabelecimentos comerciais, quebraram vitrines e levaram mercadorias, inclusive de lojas de marcas de luxo. Os casos foram registrados principalmente em Paris e Marselha.
No sábado (17), o presidente Emmanuel Macron afirmou que manifestantes que destruíram prédios públicos ou realizaram furtos serão devidamente punidos.
"Nenhum espaço para a violência em nossa República. Aqueles que quebraram, atacaram as prefeituras, assim como os comércios, pilharam até nossas prefeituras, serão perseguidos e punidos. Às forças de ordem, garantidoras do direito de manifestar, digo o apoio da Nação. Faremos todos um bloco frente aos semeadores de caos, que só buscam derrubar nossas instituições e impedem aqueles que expressam pacificamente suas reivindicações de fazê-lo."
Já Lecornu afirmou que a França não se deixará "intimidar" pela violência — tudo isso a poucos meses de uma eleição presidencial. "Àqueles que claramente desejam usar essa violência como um 'aquecimento' para a eleição presidencial, digo de forma clara: não nos deixaremos intimidar. Ninguém imporá sua agenda política por meio da violência", disse na ocasião.
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