Geral

Incerteza eleitoral e petróleo limitam alta do Ibovespa com NY e minério

Índice enfrenta desafios em meio a expectativas eleitorais e flutuações de commodities

Estadao Conteudo 19/10/2026
Incerteza eleitoral e petróleo limitam alta do Ibovespa com NY e minério
Ibovespa - Foto: Depositphotos

A expectativa com o segundo turno da eleição presidencial dá o tom para o Ibovespa nesta segunda-feira, 19. Depois de abrir na mínima de 205.439,71 pontos, o principal índice da B3 ganhou força e chegou a encostar nos 207 mil pontos, em uma semana marcada pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA -15) de outubro e pelo início da safra de balanços no Brasil.

O movimento é apoiado em parte pela alta de 1,26% do minério de ferro em Dalian, após dados de atividade na China, e pelo avanço da maioria das bolsas em Nova York. Porém, por volta das 11 horas, o Índice Bovespa perdeu força, em meio à disputa eleitoral apertada e ao recuo do petróleo.

"O trade eleitoral dita o pregão e o exterior ajuda na margem, com Nova York em alta, petróleo em queda e dólar mais fraco", afirma Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

O petróleo caiu cerca de 1,5%, após os EUA aliviarem sanções à Rússia, o que pode elevar a oferta. As ações da Petrobras, que têm peso importante no Ibovespa, recuaram em cerca de 1,7%.

O recuo do petróleo, no entanto, pode ser uma fonte de alívio das pressões inflacionárias de curto prazo, o que estimula papéis mais sensíveis ao ciclo econômico. Contudo, a deterioração nas projeções para a inflação no boletim Focus atua como contraponto.

Ficam também no radar o IPCA-15 de outubro, na próxima sexta-feira, e o início da temporada de balanços no Brasil, com WEG (quarta) e Bradesco (quinta). No exterior, o foco estará voltado para os números das empresas, com balanços de Meta e Tesla. Lá fora, destaca-se a queda das bolsas europeias, em decorrência de protestos na França no fim de semana.

Nesta segunda, foram divulgadas as pesquisas BTG/Nexus e Atlas/Bloomberg. Nos próximos dias, saem levantamentos de Quaest, Palver, IDEA, Datafolha, PoderData, Indexa, entre outros.

A Atlas/Bloomberg mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 49,8% das intenções de voto no segundo turno, ante 47,6% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vantagem de 2,2 pontos porcentuais. Na pesquisa da BTG/Nexus, Flávio aparece com 46,5% e Lula com 45,9%, caindo de 48% para 45% para Lula na pesquisa anterior. A sondagem indica uma redução da distância numérica entre ambos, mas o empate técnico permanece.

No debate realizado na TV Bandeirantes, o tom foi mais marcado por acusações mútuas e insultos do que por propostas concretas. Flávio e Lula voltarão a se encontrar na sexta-feira, em debate na TV Globo.

O alívio na Bolsa e no dólar, principalmente, é atrelado às manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro no Brasil no fim de semana, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. "Reaqueceu a campanha. Há perspectivas de que ele melhore mais nas pesquisas", diz.

Além dos atos pelo País, Perri comenta que o debate de ontem não ter sido uma "tragédia" também estimula a alta do Ibovespa. "Não agregou, não houve uma apresentação de propostas de ambos os lados. Se não tivesse acontecido, daria na mesma", acrescenta o sócio-fundador da Forum Investimentos.

Embora tenha afirmado que realizará ajustes fiscais, a ausência de um plano claro por parte do senador do PL é vista com cautela por alguns analistas. Para Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, "desagradar" talvez seja uma palavra forte, mas acendeu um sinal amarelo. "O mercado vê o Flávio como o candidato mais alinhado a uma agenda liberal, mas no debate promessas caras, como o SUS padrão Einstein e a compra de dívidas, foram apresentadas sem nenhum detalhamento. O investidor não reage à promessa em si, mas sim à falta de detalhes. Enquanto não houver uma equipe econômica com nome e um plano com números, essas falas permanecerão no radar", diz Trotta.

Hoje, o boletim Focus aponta uma mediana para o IPCA de 2026 em 5,22%, após quatro leituras de alta. A estimativa do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,30% para 4,32%.

Na última sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,54%, aos 205.430,33 pontos, acumulando uma queda de 1,74% na semana.

Às 11h16, o Índice Bovespa subia 0,25%, aos 205.940,44 pontos, após ter atingido uma alta de 0,95% na máxima, aos 207.387,56. Vale diminuiu a alta para 0,17%, e algumas ações de bancos passaram a cair.