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França impõe toques de recolher para conter depredações após fim de semana de protestos

Medida é uma resposta à onda de violência durante manifestações pelo custo de vida e recursos na educação.

Estadao Conteudo 19/10/2026
França impõe toques de recolher para conter depredações após fim de semana de protestos
França decreta toques de recolher após violência em protestos - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, impôs toques de recolher em diversas regiões metropolitanas do país a partir da noite desta segunda-feira, 19, para conter novos distúrbios e saques, após um fim de semana marcado pela violência entre manifestantes que protestam contra a falta de recursos na educação e o alto custo de vida.

Entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, 19, grupos de manifestantes incendiaram lixeiras, bicicletas e outros objetos nas ruas, além de saquear estabelecimentos comerciais em Paris, Lyon, Marselha e outras cidades. O episódio ocorreu após episódios de violência intensa durante protestos realizados no sábado.

Desde o início dos protestos, no mês passado, já foram realizadas 110 marchas, que reuniram entre 550 mil e 800 mil manifestantes pela França. Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas e 997 policiais ficaram feridos. Ao menos dois adolescentes sofreram ferimentos graves, perdendo uma das mãos.

Na segunda-feira, as autoridades estimaram que, ao menos, 3.000 estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados em diversas cidades durante a onda de violência do fim de semana.

Houve diversos relatos de saques a lojas e depredações a prédios públicos. Em Limoges, por exemplo, a prefeitura local foi incendiada.

"Pedi aos prefeitos e autoridades administrativas regionais que decretassem vários toques de recolher esta noite - toques de recolher parciais", anunciou o chefe de governo de centro-direita após uma reunião de crise, sem especificar em quais locais a medida será aplicada.

A lista de cidades afetadas pela medida deve ser divulgada na tarde desta segunda-feira, após os prefeitos - representantes do governo nos diferentes departamentos franceses - conversarem sobre a situação.

Algumas medidas já foram anunciadas. Em Marselha, manifestações foram proibidas entre as 12h e as 20h, e a cidade de Denain, próxima à fronteira com a Bélgica, decretou um toque de recolher noturno até domingo.

Violência fora do controle

O governo está sob pressão para conter os distúrbios e saques que, no sábado, ofuscaram os protestos multitudinários contra o aumento do custo de vida, episódios que voltaram a ocorrer na noite de domingo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu nesta segunda-feira "falhas" na gestão policial dos distúrbios e solicitou "novos modos operacionais" para "dar fim aos fenômenos de barricadas e saques".

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, indicou que esses toques de recolher não afetarão a partida de futebol da Liga dos Campeões prevista para terça-feira, entre Paris SG e Barcelona, na capital francesa.

Lecornu descartou, por ora, decretar estado de emergência — medida solicitada pelo líder do partido conservador "Os Republicanos", Bruno Retailleau — por considerar os toques de recolher "mais adequados".

"Como puderam chegar a esse ponto? Nada explica, nada justifica", disse Macron, sob pressão, que atribuiu os problemas a grupos de "extrema-esquerda" e delinquentes que se uniram. Afirmou que as autoridades devem responder de maneira firme e com "toda transparência".

O presidente da França afirmou ainda que "Aqueles que destruíram devem pagar, e aqueles que tentaram derrubar a República irão responder por isso." Pediu, no entanto, que os responsáveis pelos distúrbios não sejam confundidos com as centenas de milhares de pessoas que se manifestaram pacificamente no sábado contra o aumento do custo de vida.

*Com informações de agências internacionais.