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Flávio afirma que país 'está sem presidente' enquanto bolsonaristas negam interferência dos EUA

Eleitores do candidato descartam influência externa nas eleições brasileiras.

Sputnik Brasil 18/10/2026
Flávio afirma que país 'está sem presidente' enquanto bolsonaristas negam interferência dos EUA
Flávio Bolsonaro participa de ato na Avenida Paulista e fala sobre sua candidatura à presidência. - Foto: © AP Photo / Andre Penner

Eleitores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) que participaram do ato "Bloquinho do 22", neste domingo (18), na avenida Paulista, em São Paulo, relataram à Sputnik Brasil que não acreditam em interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado à Presidência, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto, classificou como "crítico" o risco de interferência americana no pleito.

O documento, divulgado pela colunista Mônica Bergamo, afirma que o governo de Donald Trump busca reafirmar a hegemonia dos EUA na América Latina e diminuir a presença de concorrentes, como a China, na região.

Em 1º de outubro, Trump afirmou acompanhar "muito de perto" a eleição brasileira, sem declarar apoio a nenhum candidato.

A Polícia Federal arquivou uma apuração preliminar sobre o tema, iniciada a partir de uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um projeto de US$ 1 milhão do Departamento de Estado para apoiar grupos da sociedade civil brasileira.

Servidores da Abin consideraram a decisão como prematura.

O funcionário público Ariovaldo dos Santos, de 58 anos, afirmou não acreditar na hipótese de interferência externa.

"Não confio nas urnas, mas não acredito que haja interferência externa", declarou. Ele afirmou estar no ato pela "busca de honestidade no Brasil".

Jaderson Walter, empresário, igualmente descartou essa possibilidade. "Eu acredito que não há interferência de outros países", disse. Para ele, a mudança deve vir do eleitor: "A própria interferência é do próprio brasileiro, que quer ver a mudança". Ele ressaltou a necessidade de "mais educação, mais saúde" e criticou o PT, que, em sua visão, "já teve muita chance de mudar".

A corretora de imóveis Maria Olívia Carvalho Peixoto, que veio de Vitória da Conquista (BA) para o ato, também manifestou descrença em relação à interferência externa, mas acrescentou: "É positivo", afirmando que o país estaria "sendo protegido" e "supervisionado".

Ela criticou o Supremo Tribunal Federal: "A gente não sente proteção nenhuma, pelo contrário, a gente tá vulnerável".

No palco, Flávio fez um discurso breve e preferiu economizar a voz para o debate contra o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agendado para as 20h, na Band.

"Hoje eu quero vocês na televisão assistindo ao debate meu com o Lula", pediu aos apoiadores.

O senador prometeu "esfregar os crimes" que, segundo ele, Lula cometeu contra o país, sem oferecer detalhes sobre as acusações. Em seguida, declarou que "o Brasil está sem presidente, mas é por pouco tempo, porque Flávio Bolsonaro está chegando".

Ele finalizou sua fala repetindo o lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Flávio também listou promessas para um eventual governo, como resgatar a credibilidade do país, gerar empregos e melhorar a educação, sem aprofundar nas propostas.

A concentração teve início por volta das 9h, no cruzamento da Paulista com a alameda Ministro Rocha Azevedo, e a maior aglomeração se formou entre a rua Augusta e o Museu de Artes de São Paulo (MASP).

Flávio chegou por volta das 11h, percorreu parte da avenida em carro aberto, acompanhado de dois trios elétricos, e encerrou o ato por volta das 13h.

Participaram do evento o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB); o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG); os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL); o empresário Pablo Marçal e a esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro.

O segundo turno está agendado para 25 de outubro. No primeiro, Flávio ficou com uma vantagem de menos de dois pontos percentuais sobre Lula, sendo as pesquisas indicativas de uma disputa apertada entre ambos.


Por Sputnik Brasil