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Estudantes desenvolvem plataformas para combater a desinformação

Ferramenta inovadora visa mitigar os efeitos negativos da fake news.

Agência Brasil 17/10/2026
Estudantes desenvolvem plataformas para combater a desinformação
Estudantes desenvolvem plataforma para combater desinformação e ganham prêmio da Nasa.
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É muito fácil criar qualquer tipo de conteúdo com inteligência artificial (IA). Qualquer pessoa pode, com alguns cliques, gerar imagens, textos e vídeos. Esse potencial pode ser utilizado tanto para informar quanto para criar conteúdos falsos que disseminam mentiras.

Até onde vai o impacto do que as pessoas criam com a IA? Essa foi uma das perguntas que motivou as estudantes Alice Gomes, Beatriz Vasconcellos e Letícia de Oliveira, de 14 anos, do 9º ano do Colégio e Curso Desafio, em Recife, a criarem a ferramenta Pense Bem.

O projeto venceu o HackaNAV 2026, competição nacional de inovação organizada pelo Nave a Vela, solução de educação tecnológica da Arco Educação. Como prêmio, as estudantes ganharam uma imersão tecnológica na agência de pesquisa espacial dos Estados Unidos, a Nasa.

“No Pense Bem, você pode colocar publicações que você pretende fazer para que ele faça o cálculo de risco, como que isso pode escalonar, se aquilo ali pode ter um efeito dominó negativo”, explica Beatriz Vasconcellos, uma das criadoras do Pense Bem.

A plataforma já está no ar, mas ainda deve ser aprimorada para ser lançada oficialmente.

“Antes de publicar, pense no impacto”, esse é o convite para quem acessa. A partir daí, são feitas diversas perguntas para avaliar se o conteúdo oferece ou não algum risco ao ser divulgado.

Entre as perguntas estão:

  • Este conteúdo envolve nudez, material íntimo ou sexual de alguém menor de 18 anos - ou de qualquer pessoa sem consentimento?
  • Foi gerado ou editado por IA?
  • Há pessoas reais reconhecíveis?
  • Elas deram consentimento?
  • Mostra os fatos como realmente aconteceram?

A plataforma, então, classifica o conteúdo quanto ao risco e aponta se é possível fazer adequações para que ele não gere desinformação e cause danos à população.

"A gente viu em várias pesquisas que as fake news podem afetar muito a vida das pessoas, até mesmo na vida pessoal, a socialização. Fake news criada por uma pessoa, sobre uma pessoa, pode afetar diretamente até mesmo o psicológico", avalia Beatriz.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classificou a desinformação como principal risco global para 2025 e os anos subsequentes, à frente das mudanças climáticas, da crise ambiental, dos fluxos migratórios, da violência e do terrorismo.

Recife (PE), 16/10/2026 - Estudantes desenvolvem plataformas para combater a desinformação. Foto: Renan Braz/Divulgação
Estudantes fizeram pesquisas e entrevistas com professores, estudantes e especialistas para desenvolver o trabalho - Foto: Renan Braz/Divulgação

Democracia

As três estudantes realizaram pesquisas e entrevistas com professores, estudantes e especialistas para desenvolver o trabalho.

“Existem muitos impactos negativos que podem acontecer por causa da desinformação. E eu acho que o que mais choca, o que mais é surpreendente, pelo menos para mim, é que eu descobri o quanto a desinformação pode afetar a nossa democracia. Tanto em ano de eleição, quanto em ano que não seja de eleição, a democracia pode ser afetada com desinformação, quando são espalhadas fake news”, afirmou Beatriz.

Para Alice Gomes, integrante do grupo, a IA ajuda, mas pode também fazer com que as pessoas não questionem o que chega pela internet ou mesmo em grupos de WhatsApp de família.

“Isso faz com que a pessoa, quando ela recebe uma informação, não procure antes se essa informação é verdadeira ou falsa. Ela apenas pega essa informação e acaba compartilhando, sem saber se ela é verdadeira ou não, sem saber as fontes dela”, comentou.

Alice revela que o projeto a ajudou a mudar a forma como recebe, compartilha e cria conteúdos na internet.

“A gente vê uma notícia online ou em aplicativos do nosso dia a dia e logo pensa: ‘Nossa, eu vou pesquisar melhor sobre essa notícia’. Eu diria que melhorou o nosso pensamento como pessoa”.

“A sua solução é fazer com que as outras pessoas também melhorem o seu dia a dia, melhorem também o seu pensamento crítico”, defendeu.

A terceira integrante do grupo, Letícia de Oliveira, ressalta que a pesquisa a ajudou a ver o mundo digital de outra forma e a importância de uma educação midiática e digital.

“A gente percebe que a desinformação é um problema grave que afeta a população e as pessoas ao nosso redor. Eu vi, tanto no grupo da família quanto no Instagram, pessoas sendo afetadas pelas fake news, pelas informações digitais”, declarou.

“Eu acho que o assunto da desinformação digital era falado, mas nunca aprofundei muito. E com esse projeto, consegui conhecer mais sobre a desinformação e como podemos ajudar as outras pessoas a combatê-la”, acrescentou a estudante.

Desdobramentos

O Pense Bem tem ainda desdobramentos voltados para formar nas escolas, com jogos e uma formação em educação digital, ainda em desenvolvimento.

Esse não é o primeiro trabalho do trio, que também desenvolveu, no âmbito da competição, a plataforma Fato ou Boato, para identificar notícias falsas. Nela, é possível colar o link da notícia para análise da veracidade.

As três estudantes estão empolgadas com a visita à Nasa e, com o projeto, afirmam ter se interessado mais por tecnologia. Letícia e Alice cogitam seguir carreiras nas áreas tecnológicas, enquanto Beatriz pretende ser médica.