Geral

Presidente do BCE alerta para riscos de crescimento e inflação

Christine Lagarde destaca desafios econômicos em meio a conflitos no Oriente Médio

Estadao Conteudo 17/10/2026
Presidente do BCE alerta para riscos de crescimento e inflação
Christine Lagarde - Foto: AP Photo/Michael Probst

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reafirmou que os riscos permanecem inclinados para o lado negativo em relação ao crescimento e para o lado positivo no que diz respeito à inflação, em meio à incerteza sobre a intensidade e a duração do conflito no Oriente Médio e seus efeitos na economia. A declaração foi divulgada neste sábado, 17, após as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bangkok.

Diante desse cenário, Lagarde defendeu que o futuro da política monetária será guiado por uma avaliação abrangente dos dados, seguindo a função de reação da instituição.

Segundo ela, o BCE continuará tomando decisões de juros com base em três critérios: a avaliação do cenário de inflação e seus riscos à luz de dados econômicos e financeiros, a dinâmica da inflação subjacente e a força do mecanismo de transmissão da política monetária.

Lagarde ressaltou que o choque de energia é "grande demais para ser ignorado", mas que uma resposta comedida continua sendo apropriada para manter a inflação sob controle. Ela observou ainda que as condições de financiamento se apertaram, com a alta dos juros de longo prazo desde a última reunião, o que tende a desacelerar o crescimento e reduzir o repasse de preços.

A presidente também afirmou que a guerra no Oriente Médio expõe os mercados de energia a oscilações bruscas e citou, como fatores de risco para a inflação, tanto o conflito quanto a guerra da Rússia contra a Ucrânia, que podem intensificar ou prolongar o choque de energia, elevando os efeitos indiretos e de segunda ordem e, consequentemente, prolongando a alta dos preços.

Para a chefe do BC da zona do euro, os preços mais altos de energia devem manter a inflação cheias bem acima da meta até o primeiro semestre de 2027, contaminando gradualmente a inflação de núcleo e de alimentos. A projeção é de queda da inflação após o primeiro trimestre, à medida que a inflação de energia recua, com retorno próximo da meta de 2% no fim de 2027.

Lagarde também destacou que a economia da zona do euro tem mostrado resiliência apesar dos ventos contrários globais e do choque energético.

As projeções de setembro do BCE indicam expansão de 0,9% em 2026, 1,4% em 2027 e 1,5% em 2028, sustentadas pela recuperação da renda real, mercado de trabalho resiliente, gastos públicos em infraestrutura e defesa, além de investimentos em inteligência artificial (IA) e tecnologias digitais.