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China eleva reservas de ouro pelo 23º mês consecutivo e corta títulos dos EUA

Sputnik Brasil 17/10/2026
China eleva reservas de ouro pelo 23º mês consecutivo e corta títulos dos EUA
China aumenta reservas de ouro e reduz investimentos em títulos dos EUA. - Foto: © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Em um cenário de tensões geopolíticas e preocupações com a dívida norte-americana, a China reduziu suas reservas em títulos do Tesouro dos EUA ao menor nível em 18 anos, após vender US$ 27,3 bilhões em agosto. Essa ação também foi replicada pelo Japão. Os temores relacionados à dívida motivaram a aquisição de ouro por Pequim pelo 23º mês consecutivo.

Dados do Departamento do Tesouro dos EUA, publicados pelo South China Morning Post, apontam que as participações chinesas caíram de US$ 618 bilhões (mais de R$ 3,09 trilhões) para US$ 590,7 bilhões (cerca de R$ 2,95 trilhões) em agosto, uma redução de US$ 27,3 bilhões (aproximadamente R$ 136,4 bilhões). Este é o menor volume desde agosto de 2008, quando a carteira chinesa totalizava US$ 573,7 bilhões (quase R$ 2,9 trilhões), conforme dados da provedora de informações Wind.

A China não foi a única a vender dívida norte-americana no período. O Japão, maior detentor estrangeiro desses títulos, também reduziu suas posições, de US$ 1,1 trilhão (mais de R$ 5,50 trilhões) para US$ 1,07 trilhão (aproximadamente R$ 5,35 trilhões), após vendas de US$ 35,6 bilhões (cerca de R$ 177,9 bilhões) durante o mês.

Apesar das vendas dos dois países asiáticos, a participação total estrangeira em títulos norte-americanos aumentou de US$ 9,25 trilhões (cerca de R$ 46,22 trilhões) para US$ 9,33 trilhões (mais de R$ 46,62 trilhões) em agosto. O aumento foi impulsionado principalmente pelo Reino Unido e Canadá, que ampliaram suas carteiras.

O Reino Unido consolidou sua posição como o segundo maior detentor estrangeiro da dívida dos EUA, elevando suas participações de US$ 998,3 bilhões (R$ 4,99 trilhões) para US$ 1,01 trilhão (R$ 5,05 trilhões). O Canadá, por sua vez, ampliou sua exposição em US$ 38,3 bilhões (R$ 191,4 bilhões), alcançando US$ 464,6 bilhões (R$ 2,32 trilhões).

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo subiram nas últimas semanas, após a Reserva Federal (Fed) elevar os juros em 0,25 ponto percentual, o primeiro aumento em mais de três anos. Na sexta-feira (16), o rendimento do título de 30 anos caiu para 5,43%, após atingir o maior nível em 24 anos, indicando que o custo de financiamento do governo norte-americano está se elevando.

As preocupações com a sustentabilidade fiscal de Washington ganharam força, especialmente após a dívida pública norte-americana ultrapassar US$ 40 trilhões (mais de R$ 199,88 trilhões). Para fortalecer a liquidez do mercado, o Tesouro anunciou que pelo menos dobraria as recompras de títulos com vencimentos entre dez e 30 anos. Simultaneamente, o Japão gastou ¥ 15,4 trilhões (cerca de R$ 485,7 bilhões) para sustentar o iene entre o final de julho e agosto.

A redução das posições chinesas se insere em uma tendência mais abrangente iniciada durante o primeiro mandato de Donald Trump, refletindo atritos crescentes entre Pequim e Washington e preocupações sobre o uso do dólar como ferramenta de pressão geopolítica. Em contraste com a diminuição das posições em títulos norte-americanos, a China continua aumentando suas reservas de ouro, que cresceram pelo 23º mês consecutivo em setembro, atingindo 77,47 milhões de onças-troy, ou cerca de 2.400 toneladas.


Por Sputinik Brasil