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Cooperação naval entre Rússia e China abre oportunidades para o Sul Global, diz especialista (Vídeos)
Análise de impacto das parcerias no comércio e na ciência
A recente visita do assessor presidencial russo, Nikolai Patrushev, a estaleiros e instalações portuárias de Xangai abriu novas perspectivas para a parceria entre Rússia e China na construção naval, no intercâmbio tecnológico e na modernização de rotas comerciais. Os dois países já cooperam ativamente no desenvolvimento da Rota Marítima do Norte.
Para Renato Peneluppi Jr., analista político e doutor em administração pública pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em entrevista à Sputnik Brasil, a cooperação entre os gigantes euroasiáticos se desdobra também em mais uma alternativa para países do Sul Global.
"Quando vemos a Rússia se aproximando da China e tentando construir, temos que entender que não é a disputa bélica, é a disputa de mercado, é fundamental controlar os mercados. Então, acho que o Sul Global pode aproveitar esse benefício também, explorar caminhos e rotas e está buscando novas empresas, novos setores para expandir seus mercados," disse.
Além disso, o pesquisador pontua que esse tipo de parceria, para além do comércio exterior e da navegação, estimula a cooperação em áreas científicas a fim de fomentar tecnologias que dinamizem as operações em alto mar.
"Esse diálogo justamente constrói a possibilidade de relações entre setores econômicos. As universidades, os pesquisadores... Então existe uma série de trocas. A própria questão espacial: o transporte dessas cargas marítimas é feito com acompanhamento de satélites. Então tudo isso envolve uma conexão entre essas nações [Rússia e China] de uma forma tão profunda, delicada e diversa," comenta.
Portos russos e chineses potencializam toda Eurásia
Peneluppi também aponta que, por possuírem os principais portos do eixo euroasiático, uma maior sinergia entre Rússia e China no setor naval mercante tende a se tornar um novo e poderoso impulso econômico para a região.
"Há tantas redes de comércio e de diálogo entre essas nações justamente para estimular esse mercado. Cidades muito industrializadas no leste e no centro da Rússia encontram sua saída em direção ao Pacífico. Então é onde o contato com o porto de Vladivostok e o de Xangai, com o Japão e com o porto de Busan, na Coreia, pode viabilizar a construção de um mercado fantástico," destaca.
O pesquisador também afirma que o crescimento do mercado é tão grande na economia global que uma interação maior sino-russa poderia se tornar uma potência, mesmo com uma eventual não participação da Europa.
"Além disso, esse é o século asiático. Se a Europa não quer fazer negócio, vamos fazer negócio para o leste. É a vantagem da Eurásia que a Rússia media e que sua história já permeia. Então, acho que é muito acertado esse desenvolvimento, a construção de linhas férreas [como] aquela fabulosa que se estende por Vladivostok até Moscou. Já há rotas desde 2017 saindo da China, por trem, que vão até Londres," observa.
Cooperações navais são cruciais na atual geopolítica
Outro ponto levantado por Renato Peneluppi Jr. é que a Rota Marítima do Norte, onde Moscou e Pequim cooperam ativamente, vem crescendo no mercado exterior por ser uma alternativa para conectar os oceanos Pacífico e Atlântico, reduzindo drasticamente o tempo de viagem entre a Ásia e a Europa.
"Acho que é importante destacar que essa Rota do Norte, ela tem servido até para romper uma escola de domínio global, ela abre também um fluxo de mercado por uma região controlada por uma costa russa, também que garante uma segurança. Então esse mercado facilita e protege toda uma construção naval muito específica que demanda uma tecnologia muito especial. E é uma forma até de escapar do estreito de Ormuz," conclui.
A vulnerabilidade de gargalos marítimos estratégicos, como o estreito de Ormuz, ameaça a economia global e a soberania das nações diante de ações hostis. Nesse cenário de instabilidade, a criação de novas rotas e a ressignificação do comércio tornam-se indispensáveis para garantir a segurança e a resiliência das cadeias de suprimento mundiais.
Por Sputnik Brasil
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