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UE lidera alta do superávit brasileiro com salto do petróleo, mostra Icomex da FGV
Superávit comercial brasileiro atinge US$ 62,4 bilhões em 2026, com destaque para a União Europeia.
A União Europeia foi o principal vetor da melhora do superávit comercial brasileiro em 2026, ao reverter o resultado bilateral de deficitário para positivo e ampliar as compras do Brasil, segundo o Icomex da FGV, indicador mensal de setembro.
No acumulado de janeiro a setembro, o saldo com o bloco passou de déficit de US$ 1,0 bilhão em 2025 para superávit de US$ 6,1 bilhões em 2026, uma virada de US$ 7,1 bilhões, a maior contribuição entre os principais parceiros para o aumento do saldo total no período.
Em setembro, a participação da UE nas exportações brasileiras avançou de 14,2% para 20,2% em um ano, com alta de 60,1% em valor, explicada por expansão de 42,2% no volume e de 12,6% nos preços. O movimento foi liderado por petróleo, que respondeu por 34,1% da pauta ao bloco e saltou 139,0% em valor.
Também cresceram minério de cobre, com alta de 226,0% e participação de 7,9%, e farelo de soja, com avanço de 69,8% e a mesma participação. O café recuou 6,4% e representou 8,5% das vendas ao mercado europeu. Do lado das importações vindas da UE, houve queda de 8,7% em valor, com recuo de 14,1% no volume e alta de 6,3% nos preços, o que reforçou o saldo.
A FGV pondera que não é possível atribuir o desempenho à entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, iniciada em maio de 2026.
Para o instituto, a liderança do petróleo está mais associada às restrições às compras europeias da Rússia e aos desdobramentos do conflito no Irã, que seguem pressionando preços e redirecionando demanda por fornecedores fora das áreas de risco.
No quadro geral, o superávit da balança comercial somou US$ 7,7 bilhões em setembro e levou o acumulado do ano a US$ 62,4 bilhões, US$ 16,1 bilhões acima de igual intervalo de 2025. No período, a China ampliou seu superávit em US$ 3,8 bilhões e os Estados Unidos reduziram o déficit em US$ 0,5 bilhão, enquanto o superávit com a Argentina diminuiu em US$ 3,0 bilhões.
Em valor, as exportações totais cresceram 12,9% em setembro, enquanto as importações recuaram 2,4%. A pauta segue marcada pelo petróleo. Em setembro, o item liderou as exportações com 18,9% de participação e aumento de 77,3% em valor. No acumulado até setembro, soja e petróleo empataram com 15,1% cada, mas o petróleo avançou 28,6% em valor, ante 14,9% da soja.
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