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Fome e desperdício de alimentos acendem alerta para a saúde e a sustentabilidade

O Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, é mais um alerta para os altos índices de fome e insegurança alimentar no mundo.

14/10/2026
Fome e desperdício de alimentos acendem alerta para a saúde e a sustentabilidade
Fome e desperdício de alimentos acendem alerta para a saúde e a sustentabilidade - Foto: Magnific

Segundo o relatório The State of Food Security and Nutrition in the World 2026 (SOFI 2026), elaborado pela FAO e por outras agências da ONU, 645 milhões de pessoas enfrentaram a fome no mundo em 2025, o equivalente a 7,8% da população mundial. Além disso, 2,1 bilhões de pessoas vivenciaram insegurança alimentar moderada ou grave, correspondendo a 25,8% da população. O relatório aponta ainda que 2,69 bilhões de pessoas (32,7% da população mundial) não tinham condições financeiras de pagar por uma alimentação saudável, o que evidencia as desigualdades e os desafios econômicos para garantir o acesso a uma dieta adequada.

No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2024, indicam que 18,9 milhões de domicílios enfrentavam algum grau de insegurança alimentar, o equivalente a 24,2% dos lares brasileiros. Desse total, 6,5 milhões de pessoas viviam em domicílios com insegurança alimentar grave.

Embora tenha havido melhora em relação a 2023, quando 21,1 milhões de domicílios enfrentavam algum grau de insegurança alimentar, os números ainda preocupam. Entre 2023 e 2024, o total de domicílios nessa condição diminuiu em cerca de 2,2 milhões. No mesmo período, aproximadamente 2 milhões de pessoas deixaram a situação de insegurança alimentar grave.

Como acontece todos os anos, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) promove uma campanha global de mobilização que, em 2026, traz como tema “Inovar hoje para nutrir o amanhã”. A iniciativa destaca como a inovação, a ciência, a tecnologia e os conhecimentos tradicionais podem contribuir para combater a fome, melhorar a nutrição e construir sistemas alimentares mais sustentáveis, sem comprometer os recursos naturais das futuras gerações.

Entre as principais mensagens estão o combate à fome e à insegurança alimentar e a ampliação do acesso a alimentos suficientes, seguros, nutritivos e diversificados.

“A fome e a desnutrição têm ocupado espaço na vida de milhões de pessoas em todo o mundo. O acesso ao alimento, considerando disponibilidade e saudabilidade, afeta todas as faixas etárias, e os mais pobres são os mais impactados. O problema ultrapassa os aspectos nutricionais e envolve questões políticas, econômicas, sociais e ambientais. É quando atingimos a chamada insegurança alimentar, uma situação crítica que pode comprometer a saúde individual e coletiva e afetar até o desenvolvimento do país”, alerta o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, Fellow da The Obesity Society (TOS), dos Estados Unidos, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 26 – Congresso Brasileiro de Nutrologia.

O especialista explica que a insegurança alimentar está associada à falta de acesso regular a alimentos em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades das pessoas.

“A má alimentação pode causar danos em todas as etapas da vida, desde o desenvolvimento ainda no útero materno até o envelhecimento. Uma nutrição adequada está atrelada ao desempenho do nosso sistema imunológico, enquanto a privação de macro e micronutrientes aumenta a probabilidade de doenças relacionadas à redução das defesas do organismo.”

Outro ponto destacado pela campanha da ONU neste ano é a necessidade de reduzir o desperdício e estimular escolhas conscientes no consumo e na distribuição dos alimentos.

“Este aspecto é extremamente relevante em todo o mundo. Frutas e hortaliças, seguidas por raízes e tubérculos, estão entre os alimentos descartados, mesmo quando ainda estão próprios para o consumo e poderiam contribuir para alimentar milhares de pessoas. O primeiro passo para evitar jogar comida fora é comprar a quantidade adequada às próprias necessidades. Também é importante difundir informações sobre o aproveitamento integral dos alimentos. Folhas, talos e sementes são ricos em nutrientes e podem ser incorporados a diversas receitas”, explica o presidente da ABRAN.

E completa: “A insegurança alimentar é um problema de todos nós. Milhões são gastos na produção de alimentos que acabam no lixo, enquanto milhões de pessoas passam fome e chegam a morrer”.

A campanha também chama a atenção para a importância da inovação na produção de alimentos, valorizando tanto as soluções tecnológicas quanto as práticas tradicionais da agricultura, da pesca e de outros setores alimentares. Essas iniciativas convergem para um objetivo comum: incentivar o uso responsável da água, do solo e da biodiversidade, além de valorizar os agricultores e as comunidades, reconhecendo o papel de quem produz e garante o abastecimento alimentar.