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Brasileira presa por tráfico na Tailândia retorna ao Brasil após redução de pena

Mary Hellen Coelho Silva foi condenada a 9 anos e 6 meses de prisão.

Estadao Conteudo 14/10/2026
Brasileira presa por tráfico na Tailândia retorna ao Brasil após redução de pena
Brasileira presa por tráfico na Tailândia retorna ao Brasil após redução de pena - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de 26 anos, natural de Pouso Alegre (MG), voltou ao Brasil após receber indultos reais de autoridades tailandesas enquanto cumpria pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia.

Em fevereiro de 2022, Mary Hellen e outras duas pessoas foram presas ao desembarcar no aeroporto de Bangkok, capital da Tailândia, com 15,5 quilos de cocaína nas bagagens. A quantidade da droga foi avaliada em cerca de R$ 7,5 milhões na época.

Em nota, a advogada Kaelly Cavoli Moreira, responsável pela defesa de Mary Hellen, informou que ela retornou ao Brasil no dia 5 de setembro, após ser beneficiada por indultos reais concedidos pelas autoridades tailandesas, os quais reduziram significativamente o período de cumprimento da pena e possibilitaram sua saída do sistema prisional.

A brasileira foi condenada a 9 anos e 6 meses de prisão, além do pagamento de multa de 750 mil baht, valor aproximado de R$ 105 mil à época, conforme relatado pela defesa.

"Durante o período de encarceramento, ela trabalhou na unidade prisional e manteve conduta exemplar, circunstâncias que contribuíram para que fosse alcançada pelos benefícios dos indultos reais coletivos, concedidos conforme os critérios e procedimentos estabelecidos pelas autoridades da Tailândia", esclareceu Kaelly Moreira.

Além disso, a defesa destacou que o caso da jovem foi marcado por "obstáculos significativos", dificuldades de acesso e limitações na assistência consular prestada pela Embaixada brasileira, que tornaram "ainda mais complexa" a assistência à sua situação.

Com o retorno de Mary Hellen ao Brasil, a defesa afirmou que a prioridade passa a ser a reconstrução de sua vida, a retomada dos vínculos familiares e a readaptação.

O Ministério das Relações Exteriores, através da Embaixada do Brasil em Bangkok, informou que tomou conhecimento do caso em 2022 e prestou a devida assistência consular.

De acordo com a pasta, o atendimento prestado pelo Estado brasileiro é realizado a partir do contato do cidadão interessado ou, dependendo do caso, de sua família. A atuação consular da Brasil é pautada pela legislação internacional e nacional.

Relembre o caso

Mary Hellen e um amigo, com 27 anos à época, chegaram à capital tailandesa em voo procedente de Curitiba (PR) em fevereiro de 2022.

Um jovem, que tinha 24 anos, desembarcou horas depois, em outro voo vindo da capital paranaense. Funcionários do raio-X do aeroporto desconfiaram do conteúdo das malas e as levaram para revista.

As bagagens de Mary Hellen e de seu amigo continham 9 quilos de cocaína em um compartimento oculto, enquanto o outro rapaz levava 6,5 quilos da droga em duas malas. Os três foram detidos e, posteriormente, levados para um presídio em Bangkok.

A família de Mary Hellen soube da prisão porque a jovem enviou um áudio por um aplicativo de mensagens pedindo ajuda. Chilando, ela mencionou um advogado a quem deveriam solicitar ajuda para "fazer algo" e "mandar a gente responder no Brasil". Conforme a irmã, Mariana Coelho, os familiares não tinham conhecimento do envolvimento da jovem com o tráfico de drogas.

Quem é Mary Hellen?

Segundo relato da família na época, Mary Hellen havia conseguido um emprego em uma churrascaria distante de casa e passou a morar sozinha. Emocionada, ela não conseguiu continuar a entrevista e pediu ao marido, Anderson Edson de Oliveira Souza, que falasse com a reportagem.

Anderson contou que Mary Hellen nasceu no Rio de Janeiro e veio com a mãe e quatro irmãos para Pouso Alegre, no sudeste de Minas. Com dificuldades no relacionamento com a mãe, aos 13 anos, a jovem passou a viver com a irmã. "Ela sempre trabalhou, seja como chapeira em hamburgueria ou atendente de balcão, sempre fazendo o que aparecia. Mas isso que aconteceu pegou todo mundo de surpresa".

"Não estamos classificando ela como santa, sabemos que o tráfico de drogas é crime em qualquer lugar do mundo, mas ela é brasileira. Ela deve responder aqui. Esperamos que ela seja extraditada, assim como o Brasil extradita quando um asiático ou estrangeiro comete um crime aqui. Não só ela, mas os outros dois que foram presos lá também são brasileiros. Quando prestei juramento à bandeira do Brasil, fiz isso em lealdade, espero que nosso país não nos abandone agora", disse Anderson na época.