Geral
Ibovespa recua mais de 1% com acirramento da disputa eleitoral
Mercado se ajusta às incertezas antes do segundo turno das eleições.
Depois de renovar no fim da última semana a máxima histórica acima dos 209 mil pontos, o Ibovespa encerrou esta terça-feira, 13, em queda de 1,04%, aos 206.887,52 pontos, em resposta à leitura de que a disputa eleitoral ainda segue acirrada no Brasil. O movimento foi puxado pela maioria dos papéis de maior peso no índice, casos dos bancos e da Vale, enquanto a Petrobras impediu uma baixa ainda mais forte.
Operadores e analistas citam que a volatilidade é crescente no mercado a 12 dias do segundo turno das eleições. Os investidores seguem acompanhando o nível de favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL), após um primeiro turno com números melhores para o candidato do que o apontado nas pesquisas eleitorais até então.
Nesta terça, a pesquisa PoderData/AYA mostrou o senador com 51% das intenções de votos no segundo turno e o presidente Lula (PT) com 49%, um empate técnico. Já a pesquisa BTG/Nexus mostra Flávio à frente com 48% das intenções de voto e Lula, com 45%, também tecnicamente empatados.
A expectativa de uma vitória de Flávio anima o mercado pela perspectiva de que uma eventual gestão do senador represente uma agenda mais rigorosa com os gastos públicos. No mês até agora, o Ibovespa já acumula alta de 11%, impulsionado por esse cenário; no ano, avança 28,4%.
Os investidores avaliam o nível de exposição que terão até a definição sobre o próximo governo. De um lado, a tendência ainda é positiva para os ativos locais, ao mesmo tempo em que a forte valorização do índice desde o primeiro turno leva o investidor a esperar novos sinais para aumentar a exposição ao risco neste momento. Com as pesquisas desta terça, a indefinição do cenário reforça a cautela nos negócios.
"O resultado do primeiro turno foi muito favorável para o Flávio, foi precificado e agora os investidores acompanham os novos fatos, com o governo anunciando medidas para tentar reverter o quadro desfavorável", explica o sócio da One, João Ferreira, citando a proposta do governo de perdoar as dívidas dos microempreendedores individuais (MEIs) com a União.
"Isso dá o tom do que devemos ver até o fim do mês e, se isso se mexer no ponteiro das pesquisas eleitorais, passará a refletir bastante na precificação de mercado", afirma. Além da iniciativa para os MEIs, o mercado observa a possível aprovação do fim da escala 6x1, forte bandeira do atual governo.
Depois de apresentarem um desempenho forte na última semana, grandes segmentos da Bolsa tiveram queda firme em bloco nesta terça, caso das small caps, das empresas de varejo e consumo e do setor imobiliário, com a alta dos juros.
"Acredito que existe uma chance maior do Flávio ser eleito, porém tem muitos dias pela frente até o segundo turno. Apesar do sentimento de mercado ser uma Bolsa para alta com possível vitória dele, não está certo ainda", disse o especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, Marcos Bassani. "Por isso, o investidor precisa ter cautela antes da decisão final; os próximos pregões desta semana serão definidos pelas pesquisas e realizações de lucros."
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