Geral
Custo de energia elétrica responde por 48,2% da inflação em investimentos
Estudo revela que aumento de custos impacta diversos setores
A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (ABRACE Energia) apontou nesta terça-feira, 13, que a pressão provocada pelo aumento dos custos de energia elétrica respondeu por 48,2% da inflação acumulada nos investimentos no Brasil entre 2000 e 2026. Ou seja, nos preços das máquinas e equipamentos, edificações, obras de infraestrutura, atividades agropecuárias e desenvolvimento de sistemas.
Os dados são do novo estudo da Ex Ante Consultoria Econômica, contratado pela ABRACE Energia. No conjunto dos investimentos analisados, os preços acumularam alta de 479,8% em 26 anos. Segundo a metodologia do estudo, 231,4 pontos porcentuais dessa elevação estão associados ao repasse do aumento dos custos de energia.
O impacto é especialmente expressivo em edificações e obras de infraestrutura, em que a energia responde por 72,1% da inflação acumulada no período. Em máquinas e equipamentos, a participação chega a 27,8%. Entre 2000 e 2026, o custo unitário da energia elétrica para a indústria brasileira aumentou 1.593% em reais (R$), quatro vezes a variação do IPCA no período, de 369%.
"Quando a energia fica cara, o efeito não termina na conta de luz ou no preço dos produtos. Ela também encarece máquinas, obras e infraestrutura e reduz a capacidade de investimento do país. Estamos falando de um custo que compromete a competitividade hoje e limita as possibilidades de crescimento amanhã", afirma Paulo Pedrosa, presidente da entidade.
Outros dados
O estudo também contempla outros setores. No caso do gás natural, o custo unitário para a indústria brasileira acumulou aumento de 2.604% em reais entre 2000 e 2026. Já o preço do gás natural no Brasil, medido em dólares, cresceu 154,5% no período, enquanto nos Estados Unidos houve queda de 64%.
"O debate sobre custo de energia precisa ir além da tarifa paga diretamente pelo consumidor. Energia é insumo de praticamente todas as cadeias produtivas e seu encarecimento se espalha pela economia, afetando margens das empresas, decisões de investimento", afirmou a ABRACE Energia em nota.
Na agropecuária, o custo unitário com energia elétrica e diesel cresceu 708% em reais entre 2000 e 2026, enquanto os preços dos alimentos no atacado subiram 518%. No setor de transportes, o custo unitário dos combustíveis aumentou 1.044%, diante de uma elevação de 303% nos preços dos serviços de transporte.
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