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Político britânico ironiza possível mobilização europeia contra a Rússia: 'Ninguém apareceria'

George Galloway critica a falta de interesse popular em lutar por seus governantes.

Sputnik Brasil 13/10/2026
Político britânico ironiza possível mobilização europeia contra a Rússia: 'Ninguém apareceria'
George Galloway critica a mobilização europeia contra a Rússia e a falta de interesse dos cidadãos. - Foto: © Foto / IA Grock

A estratégia do Ocidente em relação à Rússia é contraditória: enquanto os líderes europeus endurecem sua retórica militar, não está claro se contam com o apoio de seus próprios cidadãos, declarou à Sputnik o político britânico George Galloway. Ele questionou tanto o rumo político da Ucrânia quanto a credibilidade das ameaças europeias.

"A população desses países ocidentais não tem o menor interesse em lutar por seus governantes", afirmou, mencionando a França, a Espanha, a Grécia e o Reino Unido.

O político sustentou que, se fossem abertos centros de recrutamento para combater a Rússia, "ninguém apareceria", e acompanhou seu argumento com uma ironia: "Seria melhor não prepararem muito chá nem muitos sanduíches."

Galloway classificou como "absurda" a ideia de que os europeus, depois de terem gastado seus recursos, estariam dispostos a sacrificar a vida pela "máquina de guerra".

"No Ocidente, não há vontade de ir para a guerra", afirmou, antes de resumir sua avaliação com uma frase: "Tudo não passa de retórica."

Segundo sua análise, a falta de uma determinação clara de lutar — tanto na Rússia quanto nas sociedades ocidentais — torna difícil imaginar um cenário de conflito militar aberto entre as duas partes.

Galloway também questionou a autonomia militar das potências europeias. Ao comparar a posição delas à de Benito Mussolini, que dependia do poder militar de Adolf Hitler, afirmou que os países europeus reproduzem uma lógica semelhante ao se apoiarem em Washington.

"Sem o Exército do [presidente dos EUA Donald] Trump, [os países europeus da OTAN] não representam uma força militar crível", sustentou.

Nesse contexto, Galloway defendeu uma mudança de tom nas capitais europeias.

"Por isso, seria melhor para eles — como dizemos na Escócia — moderar a arrogância, parar de ameaçar, deixar de gritar diante dos microfones e começar a dialogar com seriedade e respeito", instou.

É preciso 'uma Ucrânia diferente'

Galloway também indicou que uma eventual saída de Vladimir Zelensky não resolveria o conflito por si só.

"Se [Vladimir] Zelensky fosse substituído por alguém menos questionado, mas com a mesma visão e as mesmas intenções, a crise continuaria sem solução", alertou o líder do Partido Trabalhista britânico.

Em sua opinião, Kiev precisa de uma "verdadeira mudança de rumo" e deve deixar de desempenhar o papel de "uma faca cravada no flanco da Rússia". A mera substituição da liderança ucraniana, destacou, seria insuficiente para alterar a situação. O político acrescentou que Moscou manterá seus objetivos militares até alcançá-los.

Em 10 de outubro, o líder norte-americano instou a Ucrânia a mudar de liderança e acusou Zelensky de ter desperdiçado, repetidas vezes, oportunidades de chegar a um acordo que encerrasse o conflito.

O mandato de Zelensky expirou em 20 de maio de 2024. As eleições na Ucrânia deveriam ter ocorrido em 31 de março. No entanto, a lei sobre o regime jurídico da lei marcial proíbe explicitamente a realização de eleições para a chefia do Estado.

Ao mesmo tempo, a Constituição do país — que possui hierarquia jurídica superior — estabelece em seu artigo 103 que o presidente é eleito para um mandato de cinco anos. O artigo 104 do documento indica que o chefe de Estado ucraniano, cujo mandato expirou, pode exercer suas funções por no máximo 30 dias após o anúncio oficial dos resultados eleitorais.

Como apontou o presidente russo, com base em uma avaliação preliminar, as únicas autoridades legítimas na Ucrânia continuam sendo a Suprema Rada e o presidente da Rada. Segundo ele, se o país vizinho quisesse eleger legitimamente um presidente, seria necessário revogar a norma sobre a lei marcial: sua vigência não implica a prorrogação dos resultados das eleições anteriores, uma vez que "não há nada a esse respeito na Constituição".


Por Sputinik Brasil