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Ibovespa recua com cautela eleitoral e tensão geopolítica

Mercado reage a incertezas tanto no Brasil quanto no exterior

Estadao Conteudo 13/10/2026
Ibovespa recua com cautela eleitoral e tensão geopolítica
Ibovespa recua com cautela eleitoral e tensão geopolítica - Foto: Depositphotos

Após abrir estável e marcar máxima em 209.071,98 pontos, o Ibovespa passou a cair e renovou mínimas, perdendo cerca de 2.900 pontos. O recuo é atribuído à cautela doméstica e externa, impulsionado por um ajuste parcial após a valorização de 8,82% na semana passada.

Analistas apontam que a queda reflete o clima de incerteza no mercado, tanto no Brasil quanto no exterior. No cenário nacional, o foco está na disputa acirrada pela Presidência da República, enquanto no âmbito internacional, as tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã permanecem em destaque.

Além disso, o aumento na estimativa para a inflação deste ano, conforme divulgado no boletim Focus, agrava o ambiente de cautela, mesmo com a expectativa de um arrefecimento na taxa Selic. Em consequência, os juros futuros e o dólar em relação ao real apresentaram alta.

Outro ponto importante é o cenário fiscal. Nesta terça-feira, o governo federal anunciará mais uma etapa do Desenrola MEI, programa voltado para a renegociação de dívidas de Microempreendedores Individuais (MEIs). Ademais, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para amanhã a votação em primeiro turno da PEC 221, que propõe o fim da escala de trabalho 6x1.

De acordo com Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, essa votação pode influenciar as pesquisas eleitorais. Ele ressalta: "O mercado ficará atento ao desfecho, pois isso pode impactar a corrida presidencial."

Em levantamento divulgado hoje pelo BTG/Nexus, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) contabiliza 48% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45%, em empate técnico. Outra pesquisa, a PoderData/Aya, indica o senador do PL com 51% dos votos válidos no segundo turno e Lula com 49%.

Os candidatos se encontram tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 1,8 ponto porcentual. Na rodada anterior, divulgada em 8 de outubro, Flávio tinha 53% e Lula 47%.

A Quaest publicará resultados amanhã, enquanto Datafolha, Atlas e Instituto Indexa devem liberar novas pesquisas na quinta-feira.

Outro ponto em pauta é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que se reunirá às 15h30 com coordenadores das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, em meio a disputas judiciais sobre conteúdos eleitorais. Nesta semana, também estão previstas as divulgações de vendas do varejo e do IBC-Br de agosto.

Em relação ao boletim Focus, a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu pela quarta semana consecutiva, passando de 5,01% para 5,22%. As estimativas para o IPCA de 2027 e 2028 foram fixadas em 4,30% e 3,79%, respectivamente. Para 2029, a projeção diminuiu de 3,51% para 3,50%.

Por outro lado, a expectativa mediana para a taxa Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%. A projeção para o fim de 2027 permanece em 12,00%.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,38%, aos 209.066,90 pontos, encerrando a semana com valorização de 8,82%.

Às 11h37, o Índice Bovespa cedia 0,94%, sendo cotado a 207.004,24 pontos.

No cenário internacional, em ajuste técnico, o petróleo, após recuar cerca de 2% mais cedo, diminuiu o ritmo para menos de 1%. Apesar disso, as ações da Petrobras têm alta, enquanto as da Vale caem, acompanhando a desvalorização de 1,1% do minério de ferro, em Dalian, na China. Em Nova York, as bolsas apresentaram queda moderada, em meio a balanços e na expectativa de dados de inflação dos EUA e da China.