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Crianças da rede municipal de ensino traduzem Maceió em desenhos e objetos lúdicos

Alunos participam do projeto "Olhar e Viver Maceió"; iniciativa transforma espaços urbanos em territórios educativos

Prefeitura de Maceió 12/10/2026
Crianças da rede municipal de ensino traduzem Maceió em desenhos e objetos lúdicos
Crianças do CMEI Sônia Cavalcanti exploram a cultura e os espaços de Maceió por meio de passeios, investigações e produções próprias. - Foto: Caio Cruz/ Ascom Semed

Para algumas crianças, uma garça pode ser apenas um pássaro branco. Para outras, pode ser o início de uma investigação. Um pescador, uma embarcação, uma obra de arte ou uma manifestação da cultura popular também podem despertar perguntas, hipóteses e descobertas. É assim, a partir do olhar curioso das crianças, que o projeto "Olhar e Viver Maceió: pela construção de uma cidade educadora", vem aproximando a Educação Infantil dos espaços, da cultura e das histórias da capital alagoana.

Neste 12 de outubro, Dia das Crianças, os pequenos da rede pública municipal de ensino destacam esse olhar infantil sobre a cidade com a capacidade de descobrir, criar, investigar, conhecer e se expressar, a partir das experiências vividas dentro e fora da sala de aula.

No Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Sônia Cavalcanti, por exemplo, um passeio por diferentes pontos de Maceió serviu como ponto de partida para novas descobertas. As crianças observaram paisagens, artes expostas pela cidade, pescadores e embarcações e, ao retornar para a sala de referência, levaram consigo perguntas e curiosidades que passaram a orientar novas investigações.

“Foi muito importante esse passeio, que foi o ponto de partida. Quando voltamos para as investigações, surgiram várias perguntas”, conta a professora Angélica Santos Macário Wanderley, do 1º período A.

Entre as descobertas, estava uma garça avistada durante a caminhada pela cidade. Segundo a professora, as crianças queriam saber que pássaro era aquele e levantaram diferentes hipóteses até chegar à resposta.

De acordo com a professora, situações como essa mostram que o processo de aprendizagem nasce da curiosidade infantil. “Elas vieram com várias hipóteses. A cada hipótese que elas traziam, a gente fazia uma investigação para descobrir se realmente era aquilo”, explica Angélica.

E completa: “Não é o que a gente faz, é o que elas produzem, o que elas investigam, o que elas descobrem. Elas veem que aquilo ali foi construído a partir delas, a partir do que elas fizeram”.

Entre as produções, estão representações de seres do mar, tema que despertou especial interesse da turma. Os trabalhos são resultado das investigações realizadas depois do olhar para a cidade de Maceió e das perguntas que surgiram ao longo do processo.

Para Angélica, esse movimento é uma forma de mostrar às crianças que suas perguntas, ideias e descobertas têm valor. “Tudo que a gente está fazendo foi feito por elas, tem as mãos delas”, resume a professora.

Protagonismo Infantil

É justamente esse protagonismo que está entre os objetivos do "Olhar e Viver Maceió". O projeto visa promover o direito das crianças à cidade, transformando os espaços urbanos em territórios educativos e ampliando as possibilidades de aprendizagem para além dos muros das unidades de ensino.

A coordenadora-técnica de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Thainy Cavalcante, destaca que o projeto tem ampliado as oportunidades de as crianças da rede municipal conhecerem, explorarem e estabelecerem relações com os diferentes territórios, espaços e manifestações culturais da cidade.

Segundo a coordenadora, o programa reafirma a concepção de criança como sujeito histórico, social e de direitos, valorizando seu protagonismo, suas vozes, percepções e diferentes formas de expressão. “Mais do que conhecer a cidade, queremos que as crianças possam vivenciá-la, atribuir sentidos aos espaços que ocupam e expressar seus olhares sobre eles. Isso significa reconhecer que as crianças não são apenas habitantes da cidade, mas sujeitos que participam de sua construção e transformação", enfatiza.

Produções próprias

No CMEI Sônia Cavalcanti, esse protagonismo aparece nas produções realizadas pelas próprias crianças. Desenhos, registros, pesquisas e representações de elementos observados durante as experiências passam a ocupar os espaços do centro e ajudam a contar o percurso desenvolvido ao longo do projeto.

A diretora do CMEI, Adriana Barbosa Teixeira de Souza, explica que a iniciativa contribuiu para ampliar as vivências da Educação Infantil e permitiu trabalhar aspectos da cultura e da cidade, a partir dos interesses demonstrados pelas próprias crianças.

“É um projeto que veio contribuir bastante para a Educação Infantil dentro da nossa rede. A cada ano, a Educação Infantil busca, dentro desse projeto geral, um subtema para ser explorado e vivenciado com as crianças”, afirma.

Em 2026, a unidade de ensino direcionou pesquisas e vivências para elementos dos folguedos populares, aproximando as crianças de manifestações culturais alagoanas. Entre as experiências desenvolvidas estão intercâmbios com outros CMEIs, vivências com capoeira e coco de roda, estudos sobre artesanato e uma roda de conversa com um pescador convidado, que respondeu às perguntas das crianças no ambiente escolar.

“O projeto se iniciou despertando a curiosidade através desse passeio por Maceió, por alguns pontos turísticos e pelas artes que temos dos nossos folguedos. A partir daí, despertamos o gosto, a curiosidade, o que eles já sabiam e o que queriam aprender”, relata Adriana.

Experiências

Para a coordenadora do CMEI, Joana Cotrim, o diferencial está em permitir que as crianças sejam parte ativa da construção das experiências. “Neste Dia das Crianças, quero parabenizar todas as crianças de Maceió, que nos inspiram diariamente com sua curiosidade, alegria e capacidade de transformar o mundo ao seu redor. Meu reconhecimento também a todos os profissionais que fazem a Educação Infantil da nossa rede municipal, dedicando cuidado, compromisso e carinho à formação dos nossos pequenos", reconhece.

A coordenadora explica que, na sala do primeiro período, até mesmo a organização do espaço vem sendo construída a partir das descobertas dos alunos. “As produções feitas por eles passam a integrar o ambiente e ajudam a materializar aquilo que foi aprendido”, ressalta.

O olhar das crianças

Para Maria Helena da Silva Santos, do 2º período, uma das experiências mais marcantes foi conhecer elementos da cultura alagoana, como o bumba meu boi e o artesanato. Na escola, as descobertas ganharam forma em desenhos, pinturas e atividades sobre as manifestações culturais da cidade. “Eu gostei do boi, do artesanato e das pinturas. A gente fez o boi, o filé, a gente desenhou um monte de coisas ”, contou a estudante, que também destacou a diversão durante o passeio com os colegas. “Foi muito legal. A gente se divertiu bastante”, disse.

A pequena também lembrou da história do artista alagoano, Mestre João das Alagoas, que criou a escultura do boi, apresentada às crianças durante a visita. A experiência despertou a curiosidade e ajudou a aproximar os conteúdos trabalhados em sala de aula dos espaços culturais de Maceió. Para Maria Helena, o aprendizado não ficou restrito à escola. A estudante também compartilha com a família o que descobre nas atividades escolares e nos passeios por Maceió.

Aos 4 anos, Ana Lís guarda na memória outros cenários da cidade como a praia, os pescadores, os barcos e os animais marinhos. Durante as atividades do "Viver Maceió", a aproximação com o cotidiano de quem vive do mar e com os elementos da paisagem local transformou o passeio em uma oportunidade de descoberta.

O aluno Fabian Ribeiro, 5 anos, recorda com entusiasmo os peixes que conheceu durante a visita ao Mercado do Peixe. “Vi o peixe cioba, a cavala e o pescador”, respondeu, ao lembrar o que mais chamou sua atenção.

O estudante também lembrou dos animais marinhos que observou no local, identificou o polvo e recordou uma de suas características: a tinta preta que ele solta para se esconder.

As crianças compartilharam as experiências e descobertas vivenciadas ao longo do projeto durante a abertura da Semana das Crianças, em 9 de outubro, no CMEI Sônia Cavalcante, que na ocasião promoveu o encerramento do projeto com as apresentações dos alunos.

Reconhecimento

O secretário de Educação de Maceió, João Folha, destaca a relevância da iniciativa e reconhece o trabalho dos organizadores das atividades. Ele também aproveitou para parabenizar todas as crianças de Maceió. "Elas nos inspiram diariamente com sua curiosidade, alegria e capacidade de transformar o mundo ao seu redor".

E agradeceu: "Meu reconhecimento também a todos os profissionais que fazem a Educação Infantil da nossa rede municipal, dedicando cuidado, compromisso e carinho à formação dos nossos pequenos. A Prefeitura de Maceió segue trabalhando para ampliar o acesso à educação de qualidade, fortalecer nossas unidades de ensino e garantir, cada vez mais, oportunidades de aprendizagem, desenvolvimento e acolhimento para as crianças da nossa cidade. Investir na infância é investir no futuro de Maceió”.