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Perícia encontra galão de gasolina dentro do carro de juiz que morreu carbonizado em SP

Investigação foca em determinar a causa da morte do magistrado.

Estadao Conteudo 08/10/2026
Perícia encontra galão de gasolina dentro do carro de juiz que morreu carbonizado em SP
Perícia encontra galão de gasolina dentro do carro de juiz que morreu carbonizado em SP - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A equipe que realizou a perícia inicial no carro do juiz Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, encontrado morto na noite de quarta-feira, 7, na zona rural de São João da Boa Vista, encontrou um galão com forte odor de gasolina próximo aos pedais, junto ao banco do motorista. Durante a vistoria, não foram constatados ferimentos ou marcas de violência, segundo o boletim de ocorrência ao qual o Estadão teve acesso. A aliança do juiz permanecia em seu dedo e a carteira estava no console da porta do carro, um SUV Volvo XC60.

Segundo a Polícia Civil, apenas a perícia poderá determinar a causa da morte e nenhuma hipótese está descartada. O juiz atuava na 2.a Vara da Comarca de Mococa, na mesma região.

O carro com o corpo do juiz foi encontrado na estrada de terra Euclides Dotta, que dá acesso à Fazenda Aliança, por volta das 19 horas. Uma testemunha, que é motorista e operador de máquinas, transitava pela estrada conduzindo uma retroescavadeira quando avistou o veículo em chamas. Ele se aproximou do carro e, na tentativa de conter as chamas, usou a máquina para lançar terra sobre o veículo, inclusive pelo teto solar, que estava aberto.

Em depoimento, ele contou que os vidros do carro eram escuros, por isso não conseguia ver no interior e não percebeu que havia uma pessoa dentro do carro. Após tentar apagar o incêndio, foi até sua casa e comunicou o fato à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros. A testemunha retornou ao local após ser contatada pela polícia e só então soube que havia um corpo no carro.

Outra testemunha, que passava com seu veículo logo após a saída do primeiro homem, percebeu a terra sobre o veículo e também foi até uma fábrica próxima para acionar a PM. Ele observou que o porta-malas do Volvo estava aberto, mas não conseguiu visualizar se havia alguém em seu interior. Ele disse ter ouvido o som de buzina vindo do automóvel.

O homem, que reside nas proximidades, ainda estava no local quando as equipes do Corpo de Bombeiros chegaram. Depois de apagar o incêndio, os bombeiros constataram a presença de um corpo no banco do motorista, parcialmente carbonizado. A equipe do Instituto de Criminalística de São João da Boa Vista foi acionada e retirou a terra que cobria o corpo. Foi nesse momento que os peritos perceberam o forte odor de gasolina e encontraram o galão, segundo o registro. Também localizaram a carteira com documentos do juiz.

O boletim de ocorrência indica que não foram encontrados, aparentemente, ferimentos provocados por arma branca ou de fogo, nem marcas aparentes de violência no corpo. Além dos documentos, o juiz Castro Campos foi identificado por meio de uma tatuagem localizada no lado esquerdo do abdômen. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para realização de exame necroscópico.

A Polícia Civil já iniciou a investigação do caso, incluindo a busca e análise de imagens que possam ter registrado o percurso do veículo. Testemunhas e pessoas ligadas ao juiz serão ouvidas.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e a Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) divulgaram nota de pesar pela morte do juiz e de solidariedade à família.