Geral
Morte de juiz encontrado carbonizado em carro em SP choca amigos: 'Consternados'
Gustavo de Castro Campos era respeitado por sua cordialidade e imparcialidade
A morte do juiz Gustavo de Castro Campos, encontrado sem vida em um carro em chamas nesta quarta-feira, 7, em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, chocou amigos e advogados que o consideravam cordial, educado e imparcial. Castro Campos atuava principalmente em processos criminais na Comarca de Mococa, na mesma região.
O juiz residia com a família em São João da Boa Vista e se deslocava a Mococa para as audiências, que também eram realizadas de forma remota. O advogado criminalista Rogério Mega, que teve uma audiência com o juiz na tarde dessa quarta-feira, afirma que o caso merece uma apuração rigorosa. 'Precisa ser muito bem investigado, pois seria uma afronta à justiça. Ele sempre fazia o trabalho dele. Vamos aguardar as investigações', declarou ao Estadão.
O advogado destaca que o juiz atuava predominantemente em casos criminais, mas também lidava com processos de outras áreas. 'Encerramos a audiência às 15h30, e ele sempre foi muito cordial, educado e imparcial. Estamos consternados, perdemos um grande homem.'
A advogada Janaina Rotta lamentou em uma rede social a perda do colega. 'A notícia de sua partida me atingiu profundamente. Dr. Gustavo foi advogado por dez anos antes de ingressar na magistratura, e isso sempre fez diferença. Costumo dizer que quem conhece o 'chão de fábrica' enxerga de outra forma aquele que está do outro lado. Ele conhecia a realidade da advocacia, o peso dos prazos, das responsabilidades, das angústias e da luta diária de quem exerce essa profissão. Por isso, respeitava, escutava e compreendia', postou a advogada.
'Dr. Gustavo não exercia autoridade pela dureza, mas pelo equilíbrio, pela atenção e pela humanidade. Sabia que, por trás de cada processo, existiam pessoas e histórias que não cabiam apenas nas folhas dos autos', completou.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) emitiu uma nota lamentando o falecimento e se solidarizando com familiares e amigos neste momento de luto. 'O Tribunal registra, com gratidão, sua dedicação e contribuições ao longo da carreira', diz a nota. 'As circunstâncias do ocorrido estão sendo investigadas pelas autoridades competentes', acrescenta.
O caso
O juiz Gustavo de Castro Campos foi encontrado carbonizado dentro de um carro ainda em chamas na noite de quarta-feira, 7, na zona rural de São João da Boa Vista. A investigação está a cargo da Polícia Civil, que não descarta nenhuma hipótese neste início das apurações.
O veículo estava localizado em uma área pertencente a uma fazenda e foi encontrado por volta das 19h15 por trabalhadores rurais que passavam pelo local em uma retroescavadeira. Eles utilizaram terra para controlar as chamas e descobriram o corpo dentro do automóvel.
A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados para a ocorrência. Dentro do veículo, também foi encontrada uma carteira de habilitação em nome do magistrado, facilitando a identificação da vítima.
Quem era o juiz
Nascido em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, o juiz Gustavo de Castro Campos formou-se em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas. Ele atuou como advogado durante 10 anos, no interior paulista, até ser aprovado em concurso para delegado da Polícia Civil no Estado do Espírito Santo, em 2014.
Castro Campos também prestou concurso para a magistratura, foi aprovado e, ainda em 2014, tomou posse como juiz substituto no Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Ele ingressou na magistratura paulista como juiz substituto da 14ª Circunscrição Judiciária (CJ), com sede em Barretos, em 2014. Atuou também na comarca de Tambaú e era titular da 2ª Vara da Comarca de Mococa.
O magistrado possuía uma atuação significativa em suas funções, com seu nome tendo 85 mil menções em sites de buscas jurídicos.
Durante a pandemia de Covid-19, enquanto atuava na comarca de Tambaú, ele gravou um vídeo para a Associação Paulista de Magistrados (Apagamis) para informar que o Judiciário não havia parado. 'Nós do Poder Judiciário somos a última porta de socorro à população', afirmava. O vídeo teve ampla divulgação, informando que os serviços judiciários continuavam a trabalhar remotamente.
Na comarca de Mococa, o juiz foi alvo de uma investigação pelo TJ-SP após uma reclamação formalizada por um advogado, que alegou conduta inadequada do magistrado durante uma audiência. O caso foi analisado pelo Órgão Especial do TJ-SP, que considerou improcedente a acusação e arquivou o procedimento.
Mais lidas
-
1A CONTA NÃO FECHA
Pastor em Delmiro, salário em Maceió: folha aponta jornada de 40 horas a 290 km de distância na prefeitura de JHC/Cunha
-
2POLÍTICA
Lista dos deputados federais eleitos no Rio de Janeiro (RJ)
-
3RODOVIAS
Obras da ponte entre Penedo (AL) e Neópolis (SE) avançam e ultrapassam 60% de execução
-
4BATE-ESTACA
Quem sai de 'A fazenda' hoje? Ariela, Renê e Thaíde estão na roça, e disputa fica entre os homens, diz enquete
-
5POLÍTICA
Memes não se tornam votos: Menina da Bota, Caneta Azul e Inês Brasil têm pouco mais de 20 mil e não se elegem