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UFPE registra terceiro incêndio em uma semana: o que sabemos e o que falta esclarecer

Entidades investigam as causas e avaliam os prejuízos

Estadao Conteudo 08/10/2026
UFPE registra terceiro incêndio em uma semana: o que sabemos e o que falta esclarecer
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um incêndio de grandes proporções atingiu um edifício da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na zona oeste do Recife, na noite de quarta-feira, 8. Este é o terceiro incêndio registrado nas dependências da instituição em apenas uma semana.

O prédio abrigava laboratórios nas áreas de fármacos, informática e genética.

O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco foi acionado para combater o incêndio na Cidade Universitária, que teria começado por volta das 20h. Ao todo, oito viaturas participaram do combate às chamas, e a corporação finalizou o rescaldo e os procedimentos de segurança no início da manhã desta quinta-feira, 9. Não houve registro de vítimas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as causas do incêndio serão determinadas por meio de perícia técnica.

O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine). De acordo com a UFPE, o local abrigava vários laboratórios de fármacos, informática e genética.

Nas últimas horas, em razão do incêndio, as buscas pelo termo "ufpe incêndio universidade federal" começaram a ganhar relevância no Google Trends.

O que diz a UFPE?

Em nota, a UFPE lamentou "profundamente o ocorrido, especialmente em relação às pesquisas afetadas". O reitor da instituição, Alfredo Gomes, esteve no local e acompanhou o trabalho do Corpo de Bombeiros.

A universidade afirmou que, em função dos produtos armazenados no prédio, o fogo se alastrou rapidamente, causando grandes danos à estrutura.

"A UFPE presta solidariedade a todos os pesquisadores, docentes e estudantes que trabalhavam no local", destacou a nota.

Em um vídeo publicado no Instagram, Gomes afirmou que a Expo UFPE 2026 - feira de profissões voltada ao ensino médio - está programada para ocorrer normalmente, das 8h às 17h.

"O incêndio aconteceu em um prédio que fica relativamente isolado da área central onde ocorrerá o evento. O prédio está isolado, com atuação da nossa Superintendência de Infraestrutura e de outras equipes responsáveis pelo seu isolamento", esclareceu o reitor.

O que diz o MEC?

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, manifestou tristeza ao receber a notícia do incêndio.

"Estamos em contato com a reitoria da UFPE e acompanhamos as investigações para apurar as causas do incêndio", escreveu Barchini em uma publicação na plataforma X. O ministro também mencionou que o Ministério da Educação está à disposição para oferecer todo o apoio necessário.

Qual o valor estimado do prejuízo?

A UFPE informou que ainda avaliará a situação e os danos causados. Contudo, o reitor estimou um prejuízo em aproximadamente R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais em geral.

"Estima-se que ali funcionavam cerca de 80 dissertações e teses de doutorado. É uma perda irreparável, pois dados de 20 anos de pesquisa estavam armazenados nos espaços", lamentou Gomes em conversa com jornalistas.

Sobre o prédio, o reitor destacou que a infraestrutura ainda será avaliada, uma vez que o andar superior foi completamente destruído e será necessário encontrar um novo edifício para abrigar os laboratórios e acomodar as pesquisas.

Gomes também mencionou que a reitoria se reunirá com as equipes responsáveis pelos projetos desenvolvidos no local para apurar o prejuízo de forma mais precisa.

Investigações

O reitor afirmou que a universidade acionou a Polícia Federal (PF) por meio da Superintendência Regional em Pernambuco, seguindo o procedimento habitual. A PF, procurada, ainda não retornou ao contato do Estadão. O espaço permanece aberto.

"Não temos uma ideia específica da causa, então precisamos ouvir a perícia para chegarmos a uma conclusão", disse Gomes.

Ele também afirmou que a reitoria terá uma reunião nesta quinta-feira com o comandante do Corpo de Bombeiros, e as instâncias internas da instituição conduzirão uma investigação.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou que a Procuradoria-Geral Federal (PGF) designe uma comissão de procuradores para acompanhar as investigações e adotar, se necessário, as providências legais cabíveis.

"Expresso minha total solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE, que é minha alma mater, e espero que o ocorrido seja objeto de uma investigação rigorosa", declarou Messias em uma publicação na plataforma X.

Nas redes sociais, estudantes relataram que receberam mensagens com ameaças contra departamentos da UFPE horas antes do incêndio. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade solicitou esclarecimentos à reitoria sobre o ocorrido, suas causas, os danos e as condições de segurança, além da apuração dos incêndios registrados recentemente na instituição.

Como foram os outros incêndios?

Outros dois incêndios, de proporções menores, já haviam sido registrados na UFPE na última semana.

O primeiro ocorreu na última quarta-feira, 30, em um laboratório do Departamento de Física, supostamente provocado em uma câmara de alta temperatura usada para aquecer substâncias.

O segundo incêndio foi registrado no domingo, 4, no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal no Centro de Biociências. Em nenhum dos dois casos houve vítimas.