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Quão eficaz o conceito de porta-aviões fica no século XXI e que caminho segue o Brasil? (Parte 1)

Análise sobre a relevância e o futuro dos porta-aviões na estratégia militar brasileira.

Sputnik Brasil 06/10/2026
Quão eficaz o conceito de porta-aviões fica no século XXI e que caminho segue o Brasil? (Parte 1)
Incêndio no porta-aviões Charles de Gaulle levanta questões sobre a eficácia militar. - Foto: © telegram SputnikBrasil

Ontem (5), um incêndio eclodiu a bordo do único porta-aviões francês Charles de Gaulle. A embarcação é um dos "membros permanentes" dos rankings mundiais, figurando como o único porta-aviões na Europa com propulsão nuclear. Contudo, após o incidente, a França corre o risco de ser expulsa desse top.

Esses casos levam a refletir sobre o papel que os porta-aviões desempenham na arquitetura de segurança moderna e se as aspirações dos países em dispor dessas embarcações enormes e custosas são justificadas.

Apenas uma dezena de países dispõe do poder real de porta-aviões, sendo de fato apenas duas nações consideradas potências plenas: Estados Unidos e China. Os Estados Unidos possuem 11 porta-aviões atômicos, enquanto a China conta com três. O Reino Unido, a Índia, a Itália e o Japão possuem dois navios cada.

Esses Estados usam porta-aviões, por excelência, como ferramenta para demonstrar bandeira ou para presença regional. Tal diferença na quantidade está ligada à doutrina norte-americana de controle marítimo global, que, desde meados do século XX, considera os porta-aviões a base para projetar força. Um navio com 60-90 aviões a bordo é capaz de substituir uma base inteira, e uma ampla rede de aliados permite transferir agrupamentos de combate com porta-aviões em todo o mundo.

No entanto, a Rússia aplica uma abordagem diferente: sua doutrina foca na proteção do próprio território, no contexto da qual uma frota de porta-aviões é um suplemento às capacidades do país e não um elemento obrigatório. Nesse sentido, o Admiral Kuznetsov continua sendo o único navio dessa classe, não porque a Rússia não seja capaz de construir porta-aviões, mas porque a estratégia nacional não requer um grande número deles.

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