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Lula diz que teve reunião com Trump sobre tarifaço: 'ele sabe que precisa da gente'
Presidente fala sobre questões comerciais e críticas a Flávio Bolsonaro.
Em entrevista ao Podcast Flow, nesta quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que houve uma reunião ontem com o presidente dos EUA, Donald Trump, para destravar os obstáculos referentes às sobretaxas estadunidenses.
"O Trump sabe que temos coisas estratégicas que ele precisa. Ainda não coloquei em prática a lei da reciprocidade, mas ele é importador de nióbio, e 60% vem aqui do Brasil", disse Lula.
Ao dizer que está evitando impor a lei da reciprocidade porque não quer guerra com ninguém, Lula afirmou que não admite mentiras a respeito do Brasil. "Ninguém vai mentir para mim", comentou ao lembrar que Trump alegou estar taxando o Brasil em virtude de um déficit comercial.
Entretanto, dados oficiais de órgãos como o Ministério do Desenvolvimento (MDIC) e estatísticas do próprio governo norte-americano indicam que os EUA possuem superávit comercial com o Brasil.
O presidente destacou que a guerra que trava com Trump é na "narrativa" junto ao povo norte-americano.
Lula optou por não participar do último debate presidencial promovido pela TV Globo, que ocorreria no mesmo horário da entrevista. Em justificativa no próprio podcast, o presidente afirmou que prefere o formato de entrevistas de longa duração e criticou a dinâmica engessada das transmissões televisivas. O debate foi cancelado após decisões judiciais.
"Tenho questionado os debates da Globo. Eu fui em todos, em 1989. Em 1994 não teve debate porque a Globo defendia a eleição do Fernando Henrique Cardoso; em 1998, também não houve. Quando você tem debate com cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez. Esses debates são infrutíferos e não produzem nada. Aí, o pessoal começa a fazer gracinha e, quando você está num debate pela presidência da República, você está discutindo o país, é sério", explicou Lula.
Banco Master e Vorcaro
"Esse rapaz veio aqui e disse: 'estão me perseguindo politicamente'. Respondi: 'no meu governo não há perseguição política. Você está sendo investigado pelo Banco Central'. Se a gente encontrar coisa errada, você vai pagar. Ele tinha coisa errada e fechamos o banco", afirmou.
Lula defendeu uma investigação completa e irrestrita de todos os envolvidos com Vorcaro, que se encontra preso, sob acusações de fraude financeira e organização criminosa, entre outros crimes.
"É preciso investigar todo mundo. Porque esse tal de Vorcaro não era apenas um ladrão, ele era mágico, porque ele envolvia todo mundo. Ele envolvia até o Luciano Huck, que aparece de vez em quando querendo ser político", disse Lula. "Está ficando todo mundo nu dentro da sociedade. A gente descobre uma sequência de senadores, deputados, tudo com as meninas da Suíça, da Suécia, sei lá."
Flávio Bolsonaro
Sobre o adversário Flávio Bolsonaro, Lula lembrou que o senador é advogado de defesa do policial militar que matou a menina Ana Clara, de 5 anos, em Niterói. Ele também mencionou a condecoração que atribuiu ao ex-PM na prisão, Adriano da Nóbrega.
"Um senador da República que tem coragem de assinar uma petição defendendo o assassino de uma criança de cinco anos de idade, um senador que era amigo do miliciano que foi morto na Bahia [Adriano da Nóbrega], um cidadão que é ligado aos milicianos, um cidadão que tem essa relação amorosa com o Vorcaro, é um negócio que não tem sentido. Um cara desse querer ser presidente da República?", questionou.
Lulinha
Lula reafirmou que não blindará seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", de investigações sobre seu suposto envolvimento com lobby:
"Duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu [...] Ele sabe o que eu penso. Se ele não fez nada de errado, ele que crie coragem e brigue como briguei", afirmou. "Não vou fazer que nem o mequetrefe que disputa comigo, que o pai fica querendo proteger, não", disse em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Flávio Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga suspeitas envolvendo a relação da empresária Roberta Luchsinger, Lulinha e o ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) apuram se houve tráfico de influência em órgãos do governo.
Por Sputinik Brasil
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