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Ibovespa opera volátil com cautela em meio a juros externos e eleições no Brasil

Investidores monitoram cenário eleitoral e dados do Federal Reserve.

Estadao Conteudo 01/10/2026
Ibovespa opera volátil com cautela em meio a juros externos e eleições no Brasil
Ibovespa opera volátil com cautela em meio a juros externos e eleições no Brasil - Foto: Depositphotos

No primeiro pregão de outubro, o Ibovespa opera indefinido. O índice chegou a subir 0,59%, atingindo a máxima de 187.436,73 pontos, impulsionado principalmente pelo avanço do petróleo. No entanto, a direção mudou por volta das 11 horas, refletindo a piora das bolsas norte-americanas e a queda de mais de 1% das ações da Vale.

Os investidores estão atentos a dados e declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), em meio a sinais mistos sobre uma possível alta dos juros nos Estados Unidos em outubro. No Brasil, a corrida presidencial também atrai a atenção à medida que se aproxima o primeiro turno, que ocorrerá no próximo domingo.

“O Ibovespa voltou ao zero a zero. O cenário eleitoral traz uma volatilidade imensa”, afirma Gabriel Macarini, advisor sênior da Blue3 Investimentos.

Hoje à noite, além da pesquisa Datafolha, também foi divulgado um levantamento da Real Time Big Data, que mostra um quadro de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. O mercado aguarda, ainda, o debate presidencial da TV Globo, do qual Lula não participará.

“Os ativos vão seguir com foco dividido entre o ambiente internacional e as eleições”, destaca Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria.

A pesquisa da Real Time Big Data, divulgada nesta quinta-feira, indica que Lula possui 43% das intenções de voto para a presidência no primeiro turno, enquanto Flávio registra 39%. Ambos estão tecnicamente empatados. O equilíbrio se repete em uma possível disputa de segundo turno, onde o senador do PL tem 46% e o petista, 45%.

“Flávio abriu um ponto porcentual. O mercado tende a ficar mais otimista com isso”, aponta Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

No cenário externo, Lopes menciona o avanço do petróleo – com o Brent subindo 3%, para US$ 101,25 – devido à indefinição sobre o conflito no Oriente Médio, somado a relatos de ataques no Estreito de Ormuz, apesar do aumento nos embarques do Golfo Pérsico. A suspensão das exportações chinesas de derivados também intensifica o risco de aperto na oferta global.

“Isso impacta significativamente a Bolsa brasileira, dado o peso da Petrobras no índice”, explica o economista da Valor Investimentos.

Os juros dos Treasuries de 30 anos atingiram o maior patamar em 24 anos, próximos a 5,7%, em meio a preocupações com a inflação e a expectativa de que os juros americanos se mantenham altos por um período prolongado. “Os juros dos títulos britânicos também estão elevados. Há um movimento de 'flight to quality', em que os investidores deixam de olhar para emergentes e focam em renda fixa de países desenvolvidos”, afirma Macarini.

Na sessão anterior, o Índice Bovespa encerrou em alta de 1,37%, aos 186.340,46 pontos, acumulando um ganho de 5,03% em setembro e 8,32% no terceiro trimestre.

“Setembro foi positivo para o Ibovespa, com juros futuros e dólar em queda. Isso reflete uma mudança de percepção sobre as eleições”, comenta Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

Segundo Trevisan, o processo eleitoral continua a influenciar a percepção do mercado em relação aos ativos domésticos. “Há uma percepção de que o mercado atribui maior chance de vitória a Flávio Bolsonaro, e cada nova pesquisa é vista como um reforço ou risco a esse cenário”, conclui.

Às 11h13, o Índice Bovespa operava em leve alta de 0,01%, aos 186.229,26 pontos, após marcar alta de 0,59%, máxima de 187.436,73 pontos e mínima de 185.921,04 pontos (-0,23%), com abertura em 186.353,26 pontos (+0,01%).

Hoje não houve negociação de minério de ferro na Dalian Commodity Exchange devido ao feriado do Dia Nacional da China, cujas festividades ocorrerão até 7 de outubro. As ações da Vale caíam 1,20%, enquanto as da Petrobras subiam 1%. Entre os bancos, o movimento era de queda de até 3% (Unit de Santander).