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Ibovespa sobe, mas permanece cauteloso diante da inflação global e das eleições no Brasil

Mercado acompanha influência inflacionária e perspectivas eleitorais

Estadao Conteudo 28/09/2026
Ibovespa sobe, mas permanece cauteloso diante da inflação global e das eleições no Brasil
Ibovespa - Foto: Depositphotos

Após abrir estável em 183.476,36 pontos, o Ibovespa atingiu a mínima de 181.931,36 pontos (-0,84%) na manhã desta segunda-feira, 28, acompanhando a queda das bolsas em Nova York. O recuo do principal indicador da B3 ocorre em meio ao aumento de cerca de 2% nos contratos futuros do petróleo, impulsionados pelo impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela persistência das tensões no Oriente Médio.

Apesar de o petróleo em níveis elevados aumentar as preocupações com pressões inflacionárias e juros mais altos globalmente, as ações do setor demonstram valorização, com os papéis da Petrobras subindo cerca de 2%. E, mesmo com o recuo de 0,91% do minério em Dalian, as ações da Vale conseguiram reduzir as perdas por volta das 11h30. Assim, o Ibovespa obteve uma alta, atingindo +0,23%, chegando a máxima de 183.898,57 pontos.

A semana se mostra intensa com uma agenda repleta de indicadores, tanto no Brasil quanto no exterior. Além dos dados sobre emprego no Brasil e nos Estados Unidos, a expectativa em torno do primeiro turno da eleição presidencial deve elevar a volatilidade do índice.

Nesta manhã, os índices de ações de Nova York sinalizam queda, após a alta registrada na sexta-feira, acompanhada por um incremento dos rendimentos dos Treasuries, o que pressiona os juros futuros brasileiros. Na sexta-feira, o Índice Bovespa fechou em baixa de 0,27%, a 183.476,86 pontos, acumulando perda semanal de 0,95%, mas com alta de 3,41%.

O mercado mantém vigilância sobre as pesquisas eleitorais e as notícias relacionadas aos dois candidatos que lideram a disputa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Conforme o levantamento BTG/Nexus divulgado hoje, Lula aparece com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro tem 44%, tecnicamente empatados, segundo a pesquisa Quatest, que mostra cada um com 43%. Nesta semana, será divulgado o Datafolha, na quinta-feira.

No primeiro turno, a Quatest indica que Lula tem 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 34%.

Alguns mercados de previsão, como o Polymarket, dão vantagem ao Flávio, em torno de 57%, conforme relata João Debom, sócio da Supernova Investimentos. "Essa diferença entre pesquisa e aposta mantém a volatilidade alta. Cada pesquisa e debate desta semana certamente influenciará a bolsa e o câmbio", afirma.

"O mercado só irá melhorar se as próximas pesquisas indicarem uma melhora expressiva para Flávio Bolsonaro", destaca Luiz Roberto Monteiro, operador independente.

Além da cautela em relação às eleições, Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, ressalta que a situação geopolítica continua afetando os mercados. "O petróleo voltou a subir após a negativa dos Estados Unidos sobre um acordo com o Irã, reacendendo as preocupações com a inflação", comenta.

O relatório Focus desta manhã apontou um aumento na mediana da inflação suavizada para os próximos 12 meses, que subiu de 4,62% para 4,65%, ultrapassando o teto da meta de 4,50%. Considerando apenas as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias, a mediana passou de 4,73% para 4,70%.

A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, enquanto a expectativa para 2027 foi de 4,30% para 4,31%. A projeção para a Selic foi mantida em 13,50% para o final de 2026.

O mercado também repercute o fim das apostas, anunciado na sexta-feira. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo não devolverá às casas de apostas as outorgas pagas para operar no Brasil, mesmo com a proibição do setor.

As ações da Petrobras avançavam 2%, enquanto as da Vale apresentavam leve baixa de 0,01%.