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Lula propõe que ministros do STF sejam eleitos por conselho para envolver a sociedade civil

Presidente critica atual critério de indicação e defende reforma no sistema partidário

Sputnik Brasil 27/09/2026
Lula propõe que ministros do STF sejam eleitos por conselho para envolver a sociedade civil
Lula discute reforma no STF e críticas às políticas eleitorais durante entrevista. - Foto: © Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em entrevista neste domingo (27), que as indicações para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam feitas por um conselho, visando a participação da sociedade civil no processo.

Na entrevista gravada para a TV Bandeirantes no Palácio da Alvorada, ele comentou que é necessário mudar o critério de indicação para aumentar a coerência e a responsabilidade na atuação dos magistrados da Suprema Corte.

"Quero mudar o critério de escolha, porque o critério de escolha é muito vulnerável. Acho que temos que criar um critério que envolva a sociedade civil, para que a indicação não seja apenas uma vontade do presidente", afirmou. "Tem que ser alguém que passe pelo crivo de um colegiado que vamos precisar pensar como criar, para que essa pessoa não seja apenas um indicado pelo presidente", opinou.

Ele também criticou a postura dos ministros após assumirem o cargo:

"Uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando bota toga. E quando o cara coloca a toga, ele vira Deus [...] Um ministro não pode querer ficar rico. É incompatível com a função de quem recebe R$ 43 mil. Da mesma forma que o deputado. Nenhum salário de deputado, de governador ou de presidente deve permitir que alguém fique rico", afirmou.

Fim do fundo eleitoral

Na mesma entrevista, o presidente brasileiro defendeu o fim do fundo eleitoral. Ao admitir que apoiou a criação dos fundos partidário e eleitoral, disse que o modelo atual "apodreceu" a política.

"Hoje eu sou contra. Eu sou contra porque isso apodreceu a política. Mais o orçamento secreto, aí que apodreceu de vez a política. Na hora de votar, o deputado pensa nele primeiro, pensa no seu próprio mundo. Precisamos criar condições para pensar um pouco mais sobre este país e dar chance a pessoas novas que queiram entrar na política, criando um partido que tenha um programa claro sobre suas intenções. Hoje, são interesses corporativos."

Lula ressaltou a urgência de uma ampla reforma nas regras do sistema partidário:

"Não é possível continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União. Não é possível. Portanto, tudo isso terá que mudar. Se eu não fizer, ninguém fará. Vamos acabar com a polarização quando os partidos, de fato, representarem os lados da sociedade. Eles devem representar uma parte do povo. É assim que se cria um partido político", argumentou ele.

Trump: 'o problema é quem trabalha com ele'

A relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi tema na entrevista. O mandatário brasileiro disse que sempre teve boas conversas com seu homólogo, mas que ele está mal assessorado.

"O problema é que o pessoal que trabalha com ele consegue ser muito ruim", criticou. "Eu digo para ele que o Marco Rubio [secretário de Estado] não gosta do Brasil, não gosta da América Latina, ou seja, é um anti-latino-americano. Mas as conversas que eu tive com o Trump foram todas boas."

Sobre os tarifas impostos pelos EUA, ele minimizou os impactos das medidas sobre as importações brasileiras, ressaltando a diversificação do mercado para outros países:

"Sabe o que aconteceu com a queda das nossas importações para os Estados Unidos? Caímos 9,2% nas nossas exportações. Sabe quanto aumentou para a China? 19%. Para a Indonésia, 15%. Para a Alemanha, 15%. Para o Vietnã, 13%. Para 57 países, crescemos, em média, 10,5%. O nosso superávit saiu de 50 para 80 bilhões de dólares. Melhorou a exportação. Eu vou ficar chorando? Vou procurar outro parceiro", concluiu.

Por Sputinik Brasil