Geral
Dólar recua a R$ 5,18, mas registra alta de 1,10% na semana
Mercado impactado por cenários internacionais e locais
Após rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar à vista se firmou em leve baixa na reta final dos negócios e encerrou a sessão desta sexta-feira, 25, com uma queda de 0,23%, a R$ 5,1817. O real teve dificuldades para acompanhar a tendência de desvalorização da moeda norte-americana no exterior, diante de certa cautela antes do fim de semana e da sazonalidade desfavorável no fechamento do trimestre. Na semana, o dólar avançou 1,10%.
Apesar do movimento, o real teve desempenho melhor em comparação a seus pares nos últimos cinco pregões, que foram marcados por uma escalada do dólar e das taxas dos Treasuries, influenciados por indicadores robustos da economia dos EUA e por discursos contundentes de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
O aumento dos temores inflacionários é atribuído à manutenção das cotações do petróleo em níveis elevados, apesar do recuo nesta sexta-feira, com sinais de progresso nas negociações entre EUA e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz. As moedas da Colômbia, México e Chile enfrentaram perdas entre 2% e 4% nesta semana.
Segundo Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR, "nos últimos dias houve um movimento de alta do dólar em âmbito mundial. O real desempenhou-se melhor que a maioria dos pares devido ao cenário eleitoral, que ajudou a amortecer um pouco o impacto externo", acrescentando que há uma percepção entre os investidores sobre o favoritismo de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, o que pode aumentar as chances de uma mudança na política fiscal a partir de 2027.
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada na quinta-feira à noite, trouxe um quadro de empate técnico entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL), tanto no primeiro quanto no segundo turno, com o petista numericamente à frente nas duas rodadas.
Os operadores não perceberam influência da confirmação da proibição das bets por Lula, através de Medida Provisória (MP) anunciada para esta sexta-feira, nas expectativas eleitorais e na formação da taxa de câmbio.
No exterior, a referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY rompeu o piso de 101,000 pontos e rondava os 100,998 pontos perto do fim da tarde, após tocar mínima de 100,872 pontos. O iene avançou mais de 1% nesta sexta-feira, com a informação de que o presidente norte-americano, Donald Trump, expressou preocupação com a desvalorização da moeda japonesa, conforme relato da ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama. O Dollar Index encerra a semana com ganhos de cerca de 0,80% e alta superior a 1,50% em setembro.
Fonseca, da CVPAR, avalia que a tendência é de manutenção de um dólar forte, impulsionado pelo bom desempenho da economia americana, especialmente devido aos investimentos em Inteligência Artificial (IA).
Ele também destaca que a postura firme do Fed contra a inflação dissipou os temores sobre a perda de independência na gestão da política monetária, especialmente após a indicação de Kevin Warsh ao cargo de presidente do Fed por Donald Trump, que sempre pediu cortes nas taxas de juros.
"Apesar do ambiente externo desafiador, o cenário doméstico será o fator preponderante. Se o presidente eleito não der um sinal claro sobre um plano de ajuste fiscal, o dólar pode chegar a R$ 6,00. Em um cenário mais favorável, no qual o mercado confia em sinais de ajuste, o dólar poderá permanecer abaixo de R$ 5,00", afirma Fonseca.
O time de economistas do Itaú, sob a liderança do ex-diretor do Banco Central Diogo Guillen, observa em relatório que o real teve um desempenho superior neste mês, "impulsionado por termos de troca e por uma percepção mais otimista de risco local". No entanto, alertam que "o cenário internacional continua sendo um fator de pressão, com o dólar mais forte, devido à alta das taxas de juros" nos EUA.
"No âmbito doméstico, a definição sobre a condução da política fiscal no próximo mandato será determinante para a trajetória da moeda no futuro", conclui o Itaú, que mantém a projeção de taxa de câmbio em R$ 5,30 para este ano e R$ 5,50 em 2027.
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