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Dólar sobe para R$ 5,19, impactado pelo mau humor externo

Flutuações no mercado pressionam a moeda em meio a incertezas políticas e econômicas.

Estadao Conteudo 24/09/2026
Dólar sobe para R$ 5,19, impactado pelo mau humor externo
- Foto: Reprodução

Em linha com a onda de valorização global da moeda norte-americana, o dólar voltou a subir frente ao real nesta quinta-feira, 24, mas exibiu ganhos bem inferiores aos de quarta-feira, quando avançou 1,28%. Novos sinais de vitalidade da economia dos EUA, em meio à escalada dos preços do petróleo, estimularam apostas em altas de juros pelo Federal Reserve (Fed), cujos dirigentes adotam tom cada vez mais conservador.

Embora a dinâmica da formação da taxa de câmbio esteja muito atrelada, nos últimos dias, ao ambiente externo, operadores apontam que a notícia exclusiva do Estadão sobre ligações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Daniel Vorcaro coincidiu com as máximas do dólar, na casa de R$ 5,20.

O candidato do PL à Presidência da República tentou fazer contato telefônico com o ex-controlador do Master quatro dias antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro do ano passado.

Depois de tocar a máxima de R$ 5,2019, o dólar à vista encerrou o pregão em alta de 0,49%, a R$ 5,1937 - maior valor de fechamento desde 28 de agosto. Com o avanço de 1,78% nos dois últimos dias, a moeda norte-americana passou a apresentar ganhos em setembro (0,26%), após valorização de 2,16% no mês passado. O real sofreu menos nesta quinta-feira que pares como o peso colombiano e o mexicano, que acentuou as perdas à tarde após o Banco Central do México anunciar a manutenção dos juros em 6,5%.

"O comportamento da taxa de câmbio está bastante relacionado ao exterior hoje. Temos um movimento de valorização global do dólar e de alta dos juros dos Treasuries, impulsionados pela alta do petróleo. Isso está por trás das perdas das divisas emergentes", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.

As cotações do petróleo até se afastaram das máximas à tarde após a Reuters informar que Estados Unidos e Irã tentam costurar um entendimento para reabrir o Estreito de Ormuz, mas, ainda assim, fecharam em forte alta. O barril do Brent para dezembro subiu 3,41%, a US$ 106,60, e já acumula valorização de quase 4% na semana e de mais de 18% no mês.

No quadro doméstico, o sócio da Valor Investimentos, Marcel Lima, vê um arrefecimento do otimismo com a perspectiva de vitória da oposição na corrida presidencial, com a estagnação das intenções de voto de Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas eleitorais. Investidores aguardavam a divulgação, no período da noite, de nova sondagem do Datafolha.

"A expectativa de vitória de Flávio esfriou um pouco depois de uma leve euforia com as pesquisas mostrando empates técnicos entre os candidatos. Embora Flávio ainda não tenha apresentado um plano fiscal, o mercado acredita que a possibilidade de um ajuste após a eleição dele é maior", afirma Lima.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY avançava 0,18% por volta das 17h, aos 101,274 pontos, após máxima aos 101,398 pontos, nos maiores níveis desde julho. O Dollar Index já avança mais de 1% na semana e quase 2% no mês.

Depois da surpresa na quarta com a alta acima das expectativas dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos EUA em setembro, os pedidos semanais de auxílio-desemprego vieram abaixo do esperado, ao passo que as vendas de moradias novas em agosto superaram as expectativas. Duas presidentes de distritos do Fed - Beth Hammack (Cleveland) e Anna Paulson (Filadélfia) - engrossaram o coro contra a inflação, sugerindo mais altas de juros nos EUA.

"A economia e o emprego não estão precisando de juros baixos. Por outro lado, a inflação americana está há cinco anos acima da meta. A falta de solução para a guerra entre EUA e Irã é mais um motivador para o Fed seguir subindo os juros", afirma o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior.