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Convite dos EUA a Putin para participar do G20 evidencia 'fracasso do Ocidente em boicotar a Rússia'

Análise sobre as implicações do convite feito por Donald Trump ao presidente russo.

Sputnik Brasil 23/09/2026
Convite dos EUA a Putin para participar do G20 evidencia 'fracasso do Ocidente em boicotar a Rússia'
Convite dos EUA a Putin para o G20 sinaliza reaproximação entre as potências. - Foto: © Sputnik / Sergey Bobylev / Acessar o banco de imagens

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou nesta quarta-feira (23) que o presidente Donald Trump convidou o presidente russo, Vladimir Putin, para participar da cúpula do G20 em dezembro, em Miami, e espera que ele aceite o convite.

Rubio também admitiu a possibilidade de um encontro entre Putin e Trump durante a cúpula, enfatizando que Washington está aberto ao diálogo com a Rússia.

Desde 2019, Putin não participa de uma cúpula do G20, que foi cancelada devido à pandemia de Covid-19. Posteriormente, o início da operação militar especial na Ucrânia em 2022 desencadeou a maior crise nas relações entre Moscou e o Ocidente desde o auge da Guerra Fria.

Em entrevista ao programa da Rádio Sputnik, o analista geopolítico Raphael Machado e a doutora e mestre em Ciência Política pela Universidade do Estado do Rio (UERJ), Clarisse Gurgel, comentaram o simbolismo e os possíveis impactos do convite e da idada de Putin aos EUA.

"O significado político primário é o fracasso da tentativa de isolar a Rússia do sistema mundial. Desde antes da Operação Militar Especial, mas especialmente a partir dela, houve um esforço para apagar a Rússia do mapa, cancelar a Rússia", ressaltou Machado.

Machado destacou algumas sanções e boicotes impostos por países europeus e pelos EUA, além de tentativas de instigar a população russa contra o governo de Putin:

"Uma das expectativas iniciais do Ocidente era de que haveria grandes protestos em massa contra Vladimir Putin e o Rússia Unida. No entanto, isso não se concretizou; houve um impacto pelas sanções coordenadas e pela retirada de empresas do território russo, mas as expectativas não foram alcançadas", afirmou.

Para a professora Clarisse Gurgel, Trump está ciente da força da Rússia e de como o isolamento de Moscou pode ser prejudicial para os EUA.

Ela lembrou que a cúpula deste ano, realizada em um campo de golfe de propriedade de Trump, ocorrerá após as eleições de meio mandato de novembro, nas quais serão renovadas parte do Senado e as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes.

"Provavelmente será uma eleição de desgaste para Trump, com uma popularidade muito baixa e um poder aquisitivo reduzido nos Estados Unidos", ponderou.

Machado considerou que há pressões internas nos EUA para retomar as relações econômicas com a Rússia e sua participação em fóruns internacionais, após o endurecimento da época do governo de Joe Biden.

Ambos os especialistas concordaram que o fato de Trump ser um político que relativiza a fronteira entre o público e o privado favorece a aproximação de seu governo com a Rússia.

"Sentimos uma flexibilização com a chegada de Trump, em parte devido à dimensão pessoal nas relações exteriores dos EUA, que se traduz em um certo grau de simpatia pela Rússia", opinou Machado.

O retorno da Federação Russa ao G20, segundo Machado, indica uma mudança na geopolítica externa em relação ao governo Putin, apesar do apoio estadunidense à Ucrânia e das sanções vigentes.

"Engajar-se em diálogo com os EUA é vantajoso para a Rússia, que procura minimizar a influência de lideranças europeias mais beligerantes em relação a ela", avaliou. "Isso pode ser uma tática para a Rússia ganhar tempo para conduzir a operação militar especial e, se possível, reduzir ou remover sanções em áreas estratégicas", concluiu.

Além disso, em um contexto de instabilidade no setor de petróleo, essa reaproximação pode ajudar a Rússia a aliviar sanções no setor energético, crucial para sua matriz econômica.


Por Sputinik Brasil