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Ministro descarta pressão internacional sobre Brasil após países seguirem Trump contra PCC e CV
Wellington César Lima e Silva comentou sobre a adesão de países à iniciativa dos EUA.
A declaração foi dada durante agenda no Rio de Janeiro, onde o ministro participou da entrega de equipamentos de inteligência e tecnologia para reforçar a segurança dos presídios fluminenses.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou nesta quarta-feira (23) que não há receio de que a adesão de países à iniciativa liderada pelos Estados Unidos para classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas aumente a pressão sobre o Brasil.
"O que nós tivemos há uma semana atrás, meses talvez, foi a mesma conduta adotada, e a normalidade continuou. O que nós tivemos agora foi a adesão de um bloco de países. Não há motivo para ninguém imaginar que o desdobramento seja diferente."
Na terça-feira (22), 14 países aderiram a uma declaração conjunta com os Estados Unidos para adotar medidas coordenadas contra organizações classificadas pelo grupo como "narcoterroristas". Entre os grupos citados estão as duas maiores facções criminosas brasileiras. A iniciativa faz parte do chamado Escudo das Américas, liderado pelo governo de Donald Trump. O Brasil e o México ficaram fora da coalizão.
A declaração conjunta prevê, conforme a legislação de cada país, medidas contra organizações criminosas e pessoas que forneçam apoio material ou logístico aos grupos classificados. A movimentação ocorre em meio à pressão do governo americano para ampliar a cooperação regional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
Ministro diz que classificação é questão de 'rótulo'
Durante a agenda no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Wellington afirmou que a diferença entre a classificação adotada pelos Estados Unidos e pelos países que aderiram à iniciativa e a legislação brasileira é, principalmente, uma questão de nomenclatura. Segundo ele, o Brasil já possui instrumentos próprios para combater as facções.
O ministro classificou a Lei Antifacção brasileira como uma ferramenta "muito severa" e afirmou que o foco deve estar na capacidade do Estado de enfrentar o crime organizado, independentemente da classificação utilizada por outros países. "É uma divergência de rótulo. Isso não é o que preocupa a população."
Rio recebe novos equipamentos para reforçar segurança nos presídios
Durante a mesma agenda, o Ministério da Justiça e Segurança Pública entregou ao Rio de Janeiro três kits de varredura, dois scanners corporais, três pórticos e um georradar. Os equipamentos serão utilizados para identificar comunicações ilícitas, dispositivos eletrônicos e possíveis riscos ou alterações estruturais nas unidades prisionais.
Com a nova entrega, o Rio chega a 58 equipamentos repassados pelo governo federal, em um investimento de R$ 5,25 milhões. Até o fim de 2026, a previsão é que o total destinado ao estado chegue a R$ 27,7 milhões.
Segundo o ministro, 13 dos 138 presídios brasileiros selecionados pelo governo federal para receber ações de reforço na segurança estão no Rio. Wellington afirmou que o objetivo é integrar tecnologia, inteligência, capacitação e operações para impedir que presos continuem comandando atividades criminosas de dentro das unidades.
"Não adianta efetuarmos as prisões, se não há a neutralização dessas lideranças."
Por Sputinik Brasil
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