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Petróleo em alta estimula Ibovespa, mas queda em Nova York limita avanço
Mercados reagindo a incertezas geopolíticas e políticas internas.
O Ibovespa abriu a quarta-feira, 23, estável em 187.419,69 pontos e logo renovou mínima a 186.051,21 pontos. Em seguida, virou e subiu 0,72%, na máxima a 188.772,33 pontos, embalado pelo avanço do petróleo, que estimula as ações da Petrobras, principalmente. Apesar disso, a alta é pouco convincente dadas as incertezas geopolíticas e eleitorais.
Em Nova York, as bolsas caem e os rendimentos dos Treasuries avançam, assim como o dólar, devido a dúvidas sobre eventuais sinais de negociações entre Estados Unidos e Irã a respeito do conflito no Oriente Médio.
O petróleo avança, em meio a declarações do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, de que o discurso do presidente Masoud Pezeshkian na Assembleia Geral da ONU deve "dar uma resposta" às falas do presidente americano, Donald Trump, na véspera. Na ocasião, o republicano ameaçou usar a força para combater o crime na América Latina e sugeriu, mais uma vez, que pode aniquilar o Irã.
Investidores ainda repercutem a pesquisa AtlasIntel. O levantamento mostra empate técnico entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Também digerem falas do diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, em evento na capital paulista.
"O exterior pesa mais, é o que influencia 100% o fluxo de estrangeiro na Bolsa", diz Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Fami Capital. Conforme ele, há muita incerteza, principalmente lá fora, e a alta do petróleo motiva a Petrobras - "uma das principais vias do estrangeiro" - que acaba estimulando outros papéis. "O cenário está muito pesado pelo dólar Index e ganha força no Brasil", acrescenta Bertotti. O dólar Index (DXY), índice que mede a força do dólar dos EUA contra uma cesta de moedas fortes, subia 0,45%, acima dos 101 pontos.
Conforme Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, apesar de o petróleo estar sendo negociado abaixo dos US$ 100 o barril, os avanços recentes elevam a preocupação inflacionária. "O Fed está no modo hawkish e deve elevar os juros nos Estados Unidos. As apostas nesse momento são de uma nova alta já em outubro", afirma.
A perspectiva de um banco central norte-americano mais conservador, acrescenta Bertotti, pode mudar um pouco a configuração de estrangeiro na Bolsa brasileira, cuja participação tem sido moderada. "Continua vindo para o Brasil, mas com menor ímpeto. Há preocupação com aumento de juros", diz.
Em dia de agenda esvaziada de indicadores, saem apenas PMIs mundiais e ficam no foco o segundo dia da 81ª sessão da Assembleia da ONU.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos.
Às 11h39 desta quarta-feira, o Ibovespa tinha alta de 0,02%, a 187.546,94 pontos.
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