Geral
Commodities e cautela eleitoral impedem Ibovespa de subir
Número de incertezas pressiona o mercado financeiro brasileiro
A desvalorização do petróleo e do minério de ferro impede o Ibovespa de acompanhar o viés positivo da maioria dos índices das bolsas europeias na manhã desta terça-feira, 22. Em Nova York, apenas o Nasdaq avança. Além disso, a leitura de analistas sobre a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) demonstrou que, no geral, reforçou a continuidade do ciclo de queda da Selic, o que é insuficiente para empolgar o principal indicador da B3, que abriu em queda e segue operando perto da mínima intradiária.
“É muito por conta da cautela em relação à eleição no Brasil”, afirma Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria.
Os investidores digerem os discursos dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Paralelamente, monitoram as notícias ligadas à disputa eleitoral brasileira, a poucos dias da primeira fase do pleito.
Uma pesquisa divulgada ontem pela Quaest mostrou empate técnico na disputa para a Presidência da República entre os dois principais candidatos, trazendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula (PT), que soma 41%.
Após o Copom ter reduzido a Selic de 14% para 13,75% na semana passada, hoje o colegiado reiterou na ata que a magnitude do ciclo de calibração ocorrerá à luz da evolução do cenário. O Comitê afirmou que os níveis de incerteza são históricos, com riscos altistas para preços.
“O Banco Central até teria espaço para cortar a Selic, mas os riscos geopolíticos parecem mais permanentes e já foram, em parte, incorporados pelos mercados”, ressalta Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office. No Brasil, o grande tema que continua gerando ansiedade é a eleição.
Conforme Gonçalves, a ata do Copom indicou certa abertura para o BC continuar cortando a Selic, mas os choques externos, o risco de juros mais altos nos EUA, o quadro geopolítico e o fenômeno El Niño podem provocar uma pequena reversão nos dados de inflação, que estavam mostrando um cenário menos desfavorável recentemente.
Em discurso na abertura da sessão de debates da Assembleia Geral da ONU, Lula disse que todos os países são “reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel”. Ele, que já discursou diversas vezes na tribuna da ONU ao longo de seus três mandatos, afirmou: “esse é o momento mais crítico” da entidade e que “o sentimento que me move hoje é de indignação”. Em seguida, foi a vez do presidente dos EUA. Trump disse que a ONU está “melhor do que nunca”. “Vamos fechar um acordo com o Irã logo após as eleições nos EUA”, afirmou o republicano.
“Não temos novidades; foi apenas uma abertura mais vendedora do Ibovespa, com uma tentativa de recuperação em seguida”, explica Felipe SantAnna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia. Segundo ele, o Índice Bovespa está totalmente ligado a Nova York, observando os discursos dos presidentes Lula e Donald Trump, “tanto pela questão eleitoral quanto pelo preço do Brent e do dólar”.
De forma geral, Gonçalves, da Ghia, afirma que o mercado segue “bem caranguejo”, andando de lado, com os preços muito pautados pela política doméstica e fluxo fraco mesmo nos momentos em que surgem sinais de força. Após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de elevar os juros recentemente, a tendência é de redução do fluxo para o Brasil, devido à diminuição do diferencial de juros entre os países.
No Ibovespa, Gonçalves trabalha com níveis escalonados: após uma tendência mais robusta em agosto e o índice ficar “preso” perto dos 166 mil pontos, uma percepção de ganho de competitividade do senador Flávio poderia abrir caminho para 185 mil pontos, embora seja difícil isolar apenas esse efeito. Ele também observa que o petróleo e as taxas de juros reais cederam, e vê “muito potencial de valor” sendo ainda a ser destravado, mas isso depende de sinais políticos mais materiais para liberar o ímpeto dos investidores.
Às 11h33, o petróleo diminuiu sua queda para 1%, após fontes iranianas negarem relatos sobre possíveis negociações entre Irã e EUA e a eventual reabertura do Estreito de Ormuz.
Em Dalian, o minério fechou com queda de 1,05%.
No horário mencionado, o Índice Bovespa cedia 0,70%, aos 185.307,41 pontos, após registrar um recuo de 0,87% na mínima de 184.976,81 pontos, vindo de uma abertura na máxima em 186.577,72 pontos (-0,09%). As ações da Vale caíam 0,98% e da Petrobras variavam entre 0,21% (PN) e -0,36% (ON). Bancos também registravam recuo, sendo a maior baixa de 1,83% (BB), assim como algumas varejistas (Azzas: -2,34%), em meio ao avanço dos juros futuros.
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