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Dólar recua a R$ 5,10 com apetite externo ao risco e eleição no radar

Mercado reage positivamente a possíveis mudanças políticas e à melhora nas relações internacionais.

Estadao Conteudo 21/09/2026
Dólar recua a R$ 5,10 com apetite externo ao risco e eleição no radar
- Foto: Reprodução

O dólar abriu a semana em queda firme frente ao real, chegando a esboçar romper o piso de R$ 5,10. Essa movimentação ocorre em um dia de maior apetite ao risco no exterior, marcado pela quarta queda consecutiva do petróleo, embora o barril do Brent ainda esteja ao redor de US$ 100. Além disso, há expectativa de melhora nas relações entre Estados Unidos e China, com os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se reunindo nesta semana em território americano para discutir tarifas e inteligência artificial.

O real figurou entre as três divisas mais líquidas com melhor desempenho, apoiado, segundo operadores, pelas crescentes apostas em uma vitória da oposição na corrida presidencial e, consequentemente, em um ajuste nas contas públicas.

As pesquisas eleitorais mais recentes confirmam o quadro de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. O mercado está atento à divulgação, prevista para esta noite, do novo levantamento da Quaest sobre a disputa ao Planalto.

Segundo o economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, a plataforma digital de previsões Polymarket indica que a probabilidade de mudança de governo está na máxima da série. “Talvez o mercado esteja algo exageradamente confiante nesse resultado”, afirma ele.

Após atingir a mínima de R$ 5,1030 no início da tarde, o dólar à vista fechou em baixa de 0,70%, cotado a R$ 5,1084. A moeda norte-americana acumula perdas de 1,38% frente ao real em setembro, após uma valorização de 2,16% em agosto, período em que a expectativa majoritária era pela reeleição do presidente Lula. No acumulado do ano, a moeda recua 6,93%. O real se destaca entre as cinco divisas com maiores ganhos em relação ao dólar em 2026.

Mark McCormick, estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, destaca que os mercados deveriam se concentrar menos no vencedor da eleição e mais em como a próxima administração enfrentará o problema fiscal: voluntariamente ou com a pressão dos mercados.

“Ambos os candidatos herdam o mesmo problema: uma trajetória de dívida desafiadora”, afirma McCormick, que alerta para a necessidade de cautela em considerar qualquer desfecho da corrida presidencial como favorável ao real.

Ele aponta que a expectativa de um aperto monetário nos EUA, junto com possíveis cortes mais agressivos na Selic, pode reduzir o apelo do carry trade.

Por sua vez, o diretor de tesouraria do Braza Bank, Bruno Perottoni, ressalta que, apesar da valorização do real, há sinais de uma alta busca por dólares no mercado à vista, com uma queda no casado (diferença entre dólar à vista e futuro) e um aumento nos juros em dólar no Brasil. “Não afirmo que haja escassez que provoque disfuncionalidade, mas sim uma demanda maior do que seria normal para esta época do ano”, observou Perottoni.

O Banco Central já interveio três vezes neste mês, oferecendo um total de US$ 3 bilhões no mercado spot — US$ 2 bilhões em conjunto com vendas de dólar futuro via swaps cambiais reversos e US$ 1 bilhão à vista (com cláusula de recompra). Os operadores acreditam na possibilidade de novas intervenções do BC caso não haja mudanças na dinâmica do fluxo de capital.

Após registrar perdas em comparação com a maioria das divisas emergentes, o dólar se fortaleceu frente ao euro, iene e libra. O índice DXY subia 0,21% perto do fim da tarde, alcançando 100,428 pontos, próximo da máxima de 100,451 pontos. As taxas dos Treasuries de 2 anos apresentaram ligeira alta, em contrapartida aos títulos de longo prazo, refletindo as chances de mais aperto monetário nos EUA.

Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, observa que a alta dos rendimentos dos títulos soberanos agora é liderada pelos papéis de curto prazo, em função das previsões de aumentos nas taxas de juros nos países desenvolvidos. “O dólar se fortalece em relação às principais moedas, e traders e economistas estão revisando suas projeções de política monetária para cima”, conclui Ryan.