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Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emendas com condenado no caso Marielle, diz mídia

Sputnik Brasil 21/09/2026
Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emendas com condenado no caso Marielle, diz mídia
Assessora de Flávio Bolsonaro é investigada por negociar emendas com condenado por assassinato de Marielle Franco. - Foto: © Lula Marques/Agência Brasil

Investigação da PF suspeita desvio de emendas do senador para desvio de recursos de grupo miliciano no Rio de Janeiro a partir da conversa com assessora de Bolsonaro e Robson Calixto, condenado pelo assassinato da vereadora.

A Polícia Federal identificou diálogos entre uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e Robson Calixto, conhecido como "Peixe", sobre a liberação de emendas parlamentares em 2023.

Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na organização criminosa envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco.

Segundo a investigação, a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro orientou Calixto a procurar pessoalmente Flávio Bolsonaro para cobrar a liberação dos recursos e chegou a enviar um convite para que ele participasse de um evento com o senador. As conversas foram extraídas do celular de Calixto pela PF e integram uma investigação sobre suspeitas de desvios de emendas destinadas a entidades do Rio de Janeiro.

A negociação envolvia R$ 199 mil destinados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). Calixto, que havia sido assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), teria solicitado os recursos à assessora. O Portal da Transparência registra o pagamento da emenda em 29 de novembro de 2023.

A investigação também aponta que Maria de Fátima pediu quatro ingressos para um camarote no Sambódromo do Rio de Janeiro, como uma das formas de "vantagem indevida". Calixto teria solicitado os ingressos a um empresário, que fez o repasse.

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), incorporada à investigação, identificou ainda que parte dos recursos enviados ao Ifop foi usada para pagar um escritório de advocacia pertencente aos próprios donos do instituto.

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Segundo a nota, a entidade apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados, cabendo aos órgãos de controle apurar eventuais irregularidades. O senador não comentou os diálogos; a assessora e a defesa de Calixto não responderam.


Por Sputinik Brasil