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Envio de drones dos EUA para a América do Sul também coloca o Brasil como alvo, diz analista (VÍDEOS)

Movimentação militar dos EUA gera preocupações sobre soberania e integração regional.

Sputnik Brasil 21/09/2026
Envio de drones dos EUA para a América do Sul também coloca o Brasil como alvo, diz analista (VÍDEOS)
Análise sobre o impacto da chegada de drones dos EUA na política sul-americana. - Foto: © AP Photo / Alex Brandon

O plano do Pentágono de transferir drones MQ-9 Reaper da África para o Comando Sul altera a dinâmica de vigilância sul-americana e reacende o debate sobre o impacto geopolítico do alinhamento militar com a Casa Branca. O cenário levanta questionamentos sobre como a iniciativa pode afetar a integração regional e a soberania nacional dessas nações.

Nesse sentido, Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), pontuou em entrevista à Sputnik Brasil que a movimentação estadunidense coloca o país na mira política direta.

Às vésperas da eleição presidencial de 2026, o Brasil se vê cercado por vizinhos alinhados à órbita de influência estadunidense, cuja atual administração frequentemente carimba o governo brasileiro como incapaz de combater o narcotráfico. Dessa forma, a transferência dos drones também funciona como uma clara sinalização de pressão política militarizada na região.

"Pode ser um significado de tentar constranger o Brasil e tentar cooptar os países vizinhos aqui para interesses dos Estados Unidos e tirar cada vez mais da órbita das relações do Brasil com todos os países que estão envolvidos nesse contrato com os Estados Unidos, que é o Escudo das Américas, e isso demonstra uma séria preocupação para os nossos interesses locais", disse.

Outro ponto destacado pelo analista é o risco imposto ao próprio Mercosul. A intensificação da presença militar, promovida sob a justificativa de combate ao narcotráfico em países parceiros de Washington, tem o potencial de desgastar as relações diplomáticas intrabloco, tensionando a cooperação política entre os Estados-membros.

"Nós temos uma situação atual que é de ameaça ao Mercosul, não só pelo Brasil, com uma eleição em vias agora, mas com o Milei, com o presidente do Paraguai e com outros governos locais daqui sendo assediados pelos Estados Unidos. [Logo] essa cooperação econômica, que já é consolidada, acho que coloca o Brasil na mira e pode afetar o Mercosul", comenta.

Drones dos EUA tensionam os países sul-americanos

Nesse contexto, Modolo, que também é especialista em organizações militares, aponta que a chegada de drones de ataque de alta tecnologia abre um precedente inédito na América do Sul. A presença dessas aeronaves não tripuladas eleva ainda mais a temperatura geopolítica em uma região já tensionada pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em 3 de janeiro deste ano.

"Isso é uma situação que está se agravando aqui na América do Sul, com a militarização, o combate ao narcotráfico. Já tivemos momentos desse tipo no começo do ano 2000, quando teve o Plano Colômbia e agora temos uma situação de reavivamento de reinstalação de bases militares e trazendo uma situação nova, um equipamento não tripulado, o que é uma situação inédita para a América do Sul", destaca.

Para o pesquisador, o possível emprego desses drones também tende a multiplicar os chamados "danos colaterais", como as incursões anteriores dos EUA na costa venezuelana que resultavam em erros de identificação, nos quais pescadores locais acabavam vitimados sob a falsa alegação de envolvimento com o narcotráfico.

"Nunca tivemos aqui na América do Sul uma operação desse tipo com drones armados que não fazem parte do arsenal de nenhum dos países sul-americanos, então é uma situação nova e que certamente terá efeitos colaterais. Nós estamos vendo o assassinato de pescadores que têm a suspeita de estar transportando drogas", observa.

Detalhes do drone Reaper que pode vir para a região

Modolo também detalha as características do MQ-9 Reaper, destacando que o drone introduz uma assimetria tecnológica, já que se trata de uma plataforma capaz de operar em missões de longa duração, combinando sensores avançados de vigilância e reconhecimento com uma capacidade letal de ataque e carregamento de armamentos pesados.

"O Reaper é uma evolução daqueles drones de vigilância que eram utilizados nos anos 90 e 2000. É um drone que é um avião turboélice, remotamente pilotado, e tem capacidade de levar armamento e cargas. Eles têm capacidade de ataque significativa, com precisão, contra alvos, inclusive alvos móveis, contra veículos, contra embarcações. E eles podem fazer ataques sem serem detectados", conclui.

No sistema-mundo atual, a capacidade bélica não atua somente como um mecanismo de dissuasão militar. Ela opera também como um instrumento de coerção política desenhado não apenas para encurralar governos específicos, mas igualmente para moldar a opinião pública em torno de uma determinada narrativa.


Por Sputnik Brasil