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Discord classifica risco de suicídio e automutilação como baixo em relatório do ECA Digital
Análise revela dados preocupantes sobre segurança de adolescentes na plataforma.
Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.
A plataforma Discord classificou como baixo o risco de suicídio e automutilação entre adolescentes em seu primeiro relatório de transparência, elaborado para cumprir as exigências do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). O documento foi publicado na quinta-feira, 17, e reúne dados de janeiro a junho deste ano.
A divulgação do parecer ocorreu após a morte de uma jovem de 13 anos, em julho, que teria cometido suicídio após ser induzida por outros adolescentes em um fórum de transmissão ao vivo na plataforma.
O caso levou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a determinar, em agosto, a suspensão preventiva das transmissões e de recursos equivalentes do Discord no Brasil.
De acordo com a ANPD, foram identificadas falhas na implementação de medidas pela empresa para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes. Nesta semana, seis menores de idade foram apreendidos por suposto envolvimento no episódio.
O relatório apresenta um conjunto de informações, incluindo o número de denúncias recebidas e a quantidade de usuários excluídos no Brasil por descumprimento das diretrizes do aplicativo. A próxima edição do documento está prevista para 1° de fevereiro de 2027.
Além de suicídio e automutilação, a plataforma considera que os seus serviços proporcionam aos adolescentes um risco final baixo para: tráfico de seres humanos; comportamentos fora da plataforma; extremismo violento; violência e conteúdo gráfico; jogos de azar e produtos perigosos ou regulados; e práticas enganosas.
No entanto, a plataforma classificou como moderado o risco relacionado a:
- assédio e bullying;
- ameaças de divulgação de informações pessoais;
- conduta de ódio e conteúdo sexualmente explícito;
- mídia íntima adulta não consensual e exploração sexual.
O Discord pondera que as classificações de risco finais refletem a avaliação da empresa "após considerar os controles existentes" e destaca que a avaliação foi feita quando estava desativada, no Brasil, uma ferramenta de entrega de conteúdo personalizado por algoritmos "dentro do escopo da avaliação".
"A personalização da Descoberta de Servidores estava desativada por padrão para usuários brasileiros, e o recurso de ICYMI não estava disponível no Brasil", afirma o Discord no relatório. Nenhuma das categorias recebeu classificação de risco alto.
No documento, a empresa informa que trabalha para operacionalizar os processos de notificação e denúncia de abuso sexual infantil específicos para o Brasil, conforme exigido pelo ECA Digital.
Enquanto isso, a empresa informa que, durante os primeiros seis meses de 2026, enviou 12.820 denúncias do tipo ao Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas dos Estados Unidos (NCMEC, na sigla em inglês), envolvendo conteúdo de foto ou vídeo, e 2.817 denúncias envolvendo conteúdo escrito.
Denúncias e exclusão de contas
O relatório também detalha o número de denúncias recebidas pela plataforma no primeiro semestre deste ano: foram 1,12 milhão de denúncias de usuários brasileiros relacionadas a problemas que não eram spam e outras 1,43 milhão de denúncias de spam.
A denúncia, explica o Discord, é um reporte enviado sobre conteúdo ou conduta que possa violar as Diretrizes da Comunidade da plataforma. Não significa que todas as mensagens apresentavam alguma violação de fato, salienta a empresa.
No período, o aplicativo registrou 417,2 mil intervenções, 301,2 mil medidas contra contas, 129,5 mil contas desativadas e 12,4 mil servidores removidos.
As intervenções correspondem a usuários e servidores distintos que receberam pelo menos uma medida de moderação durante o período. Já as medidas contra contas incluem avisos, restrições temporárias de recursos e remoções de conteúdo, mas não incluem desativações permanentes de contas.
Entre contas identificadas como pertencentes provavelmente a adolescentes, foram registradas 30,5 mil medidas. Deste total, 7.550 contas foram excluídas e 22.927 receberam avisos ou restrições temporárias.
Durante o primeiro semestre, o Discord informa ter recebido 385 notificações de autoridades brasileiras relacionadas a conteúdos ou contas.
Segundo a empresa, 204 eram solicitações consideradas legalmente válidas e específicas o suficiente para exigir providências, como remoção de conteúdo, ações contra contas ou servidores, preservação de dados e fornecimento de informações às autoridades.
Aferição de idade
O relatório também informa que o Discord solicitou a 2,37 milhões de usuários que realizassem algum processo de aferição de idade no período avaliado. Deste total, 674,9 mil concluíram o procedimento e 651 mil foram aprovados.
Entre os processos aprovados, 271,3 mil ocorreram por estimativa facial e 409,6 mil por meio de documentos de identidade.
A soma, contudo, supera a quantidade de aprovados totais, mas o relatório não explica as razões ou menciona a possibilidade de sobreposição dos números.
Segundo a empresa, a data de nascimento informada pelo próprio usuário é utilizada como mecanismo inicial para impedir o cadastro de menores de 13 anos. Em situações que exigem restrição etária, outros mecanismos podem ser utilizados para verificar a idade.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
Canal Pode Falar
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuvenis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.
Mapa da Saúde Mental
O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online, além de materiais de orientação sobre transtornos mentais.
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