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Construtora diz ter recomendado interdição de ponte no Acre um dia antes da queda
A Construtora Cidades, responsável pela ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou no Acre na última sexta, 5, disse, em nota, que havia instabilidade verificada no solo e recomendou a interdição da estrutura um dia antes do desabamento. Segundo o texto, além da erosão do solo, equipes técnicas constataram rachaduras e desníveis em diferentes pontos do entorno.
"Os levantamentos preliminares realizados em campo identificaram movimentações significativas de solo em uma área muito mais ampla do que a própria ponte, abrangendo aproximadamente 16 mil metros quadrados e alcançando também áreas adjacentes ao bairro localizado nas proximidades", afirma a empresa.
A empresa alega ainda que encaminhou ao Departamento de Estradas de Rodagens do Acre (Deracre) na quinta-feira, 4, "por volta das 13 horas (horário do Acre), recomendação formal para a interdição total da ponte, inclusive para o trânsito de pedestres, diante do risco identificado por suas equipes."
Ainda segundo a nota, as avaliações preliminares apontaram "indícios compatíveis com processo de instabilidade geotécnica conhecidos como ocorrências de terras caídas, caracterizados por movimentações de grandes massas de solo associadas a processos erosivos e às variações naturais dos níveis dos rios."
No sábado, 5, o governo atualmente que a erosão nas margens de rios poderia ter impactado na estrutura - mas revelou que a empresa tem "vasta experiência em construção de pontes na região amazônica sendo, portanto, esperado que seus projetos contemple soluções para o aspecto das terras caídas para garantia da segurança da obra."
Segundo a administração estadual, trata-se de um interesse comum nos rios jovens em formação, como o Rio Iaco, que tem cheias com alta densidade e seca severa.
Período de garantia
A governadora do Acre disse que a empresa será responsabilizada. De acordo com Mailza Assis (PP), a ponte ainda estava “dentro do período de garantia”. A obra, que custou R$ 36 milhões, foi inaugurada em março de 2024, na gestão do antecessor, Gladson Cameli (PP).
A construção foi supervisionada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) e executada em menos de dois anos pela Construtora Cidade.
Em comunicado, o governo acreano citou que o Código Civil define que as empreiteiras são responsáveis pela solidez e segurança de obras por um prazo de cinco anos.
Diante disso, informou que a Procuradoria-Geral do Estado vai pedir tutela antecipada para obrigar a empresa a reconstruir a ponte ou oferecer uma solução de travessia para o rio Iaco - sobre o qual a estrutura que desabou passando.
A Procuradoria afirmou ainda que estudo pedir bloqueio cautelar de bens da empresa, no valor integral do contrato de construção. Outra medida será exigida que a construtora garanta assistência aos quatro feridos - um deles está em estado gravíssimo. O governador disse que não há prazo definido para a internação.
“A empresa já disponibilizou engenheiros para avaliar a estrutura, e todas as disposições estão sendo tomadas para que os prejuízos não recai sobre a população”, disse Mailza, de acordo com comunicado do governo estadual.
O governo acreano afirmou que a obra foi contratada em modalidade integrada. "Nessa modalidade, a empresa Construtora Cidade assumiu integralmente a responsabilidade pelo projeto básico, projeto executivo e execução da obra, sendo a única responsável pelas decisões técnicas que determinaram a concepção e a construção do equipamento", comunicou.
O governo estadual acrescentou que "o projeto técnico, assim como todas as análises que envolvem a construção, ficou por conta da empresa, sem participação do Deracre ou do governo do Estado na concepção e execução do projeto".
Vale contrastar que, na época em que a obra foi entregue, em dezembro de 2023, um comunicado do governo do Estado destacou a participação dos servidores estaduais na celeridade da construção.
"Trabalhamos desde o começo para iniciar a construção no inverno e no verão. Nos antecipamos às enchentes e agora conseguimos entregar a ponte para a população", disse no comunicado de 2023 a engenheira responsável pela obra, Thalia Kamila Gomes, do Deracre.
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