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Entre Fujimori e Sánchez: Peru vota para sair da interminável instabilidade política

07/06/2026
Entre Fujimori e Sánchez: Peru vota para sair da interminável instabilidade política
Foto: © AP Photo / Guadalupe Pardo, Martin Mejia

O “voto anti” será decisivo para determinar quem será o próximo presidente do Peru em um segundo turno marcado por uma disputa extremamente equilibrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, segundo analistas consultados pela Sputnik.

Para os especialistas, o cenário indica que o vencedor pode não ser conhecido neste domingo (7) e que "a incerteza continuará".

Cerca de 27,3 milhões de peruanos estão convocados a eleger um novo presidente e tentar pôr fim à crise política que levou o país sul-americano a ter oito presidentes na última década.

Após um primeiro turno que terminou em escândalo, Keiko Fujimori e Roberto Sánchez buscam chegar à presidência e permanecer no cargo até 2031.

Os resultados do primeiro turno, realizado em 12 de abril, demoraram mais de um mês para serem oficializados e deram lugar a uma curta campanha eleitoral, na qual Fujimori, do partido Força Popular, e Sánchez, do Juntos pelo Peru, procuraram conquistar o apoio de outros líderes políticos.

Enquanto Fujimori comemorou apoios públicos do ex-prefeito de Lima e terceiro colocado no primeiro turno, Rafael López Aliaga, e do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski (2016–2018), Sánchez contou com o apoio público de candidatos que ficaram pelo caminho no primeiro turno, como Alfonso López-Chau, Ricardo Belmont e George Forsyth.

Pesquisas de intenções de voto deixam os dois candidatos tecnicamente empatados. Em entrevista à Sputnik, o analista de opinião pública e diretor da Imasolu, Enzo Elguera, afirmou que levantamentos indicam um pequeno crescimento em favor de Sánchez, embora sempre dentro de um cenário de empate.

"Estamos falando não apenas de um empate técnico, mas de um empate real, e, embora existam pequenas vantagens, elas são medidas em décimos percentuais", explicou Elguera.

O especialista explicou que cada um dos candidatos adotou estratégias diferentes na reta final da campanha. Keiko Fujimori, apostou em um reposicionamento da imagem, procurando apresentar-se como uma candidata mais prudente e focada em temas positivos, opinou.

A candidata garantiu que governará por apenas um mandato e enfatizou, em seu ato de encerramento de campanha, a necessidade de união.

Para Elguera, a estratégia da política peruana conseguiu atenuar a imagem "dura e forte" que marcou suas candidaturas anteriores e que tradicionalmente a associava à figura de seu pai, Alberto Fujimori (1990–2000), além de acusações de promover posturas “ditatoriais”.

Em contrapartida, Sánchez continuou apostando no "antifujimorismo", detalhou o especialista, lembrando que essa tática “serviu àqueles que venceram as últimas três eleições", em referência às sucessivas vitórias de Ollanta Humala (2011–2016), em 2011; Pedro Pablo Kuczynski, em 2016; e Pedro Castillo (2021–2022), em 2021.

No encerramento de sua campanha, Sánchez classificou Fujimori como "a senhora do caos" e a acusou de ser responsável pelas sucessivas destituições presidenciais que obrigaram o Peru a trocar de presidente com tanta frequência.

O voto 'anti'

Elguera considerou que a eleição será decidida por margens muito estreitas e estará fortemente relacionada ao chamado "voto anti', ou seja, a escolha daqueles que, mais do que convencidos pelo candidato em quem votarão, irão às urnas principalmente para impedir que o candidato de que mais discordam chegue ao poder.

"A lógica é evitar que o outro candidato vença e, embora cada um tenha sua própria base eleitoral, é isso que leva a grande maioria a optar por Sánchez ou por Fujimori", destacou.

Já o analista político Martín Manco que está em jogo é o anti-Keiko e o anti-Sánchez, sendo que Keiko Fujimori tem mais vantagens na área metropolitana de Lima, enquanto Sánchez tem melhores perspectivas nas províncias do país.

"A incerteza política vai se manter em ambas as situações, independentemente de quem vencer. Fujimori não entraria com grande maioria no Senado e não teria maioria na Câmara dos Deputados. No caso de Sánchez, acontece o mesmo, com o agravante de que ele gera preocupação nas Forças Armadas e nos mercados", afirmou.

Sem definição

Ambos os analistas concordam que, com esse nível de equilíbrio entre os candidatos, é pouco provável que os peruanos saibam quem será o próximo presidente na própria noite de 7 de junho.

Elguera destacou o papel dos representantes de cada candidato, que provavelmente terão a tarefa de "disputar cada voto nas mesas de votação" e contestar possíveis votos favoráveis ao adversário.

O diretor da Imasolu lembrou que algo semelhante já aconteceu no segundo turno que colocou frente a frente Keiko Fujimori e Pedro Castillo em 2021, quando foi necessário realizar uma recontagem dos votos, o que atrasou a definição oficial por mais de um mês.


Por Sputinik Brasil