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Rússia tem economia soberana e visa cooperar com países do Sul Global, dizem especialistas no SPIEF
Como garantir a soberania do sistema financeiro do Estado é o tema principal da sessão "Remontando o sistema financeiro global" no 29º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF, na sigla em inglês).
Especialistas do setor discutiram como superar o monopólio oculto das instituições ocidentais e construir uma arquitetura financeira totalmente independente no ambiente geopolítico atual.
Participaram da conversa o primeiro vice-presidente do Banco da Rússia, Vladimir Chistyukhin, o vice-ministro das Finanças russo, Ivan Chebeskov, a chefe do centro de especialistas da Associação de Bancos da Rússia para Ativos Financeiros Digitais e Moedas Digitais, Olga Goncharova, e outros.
"É necessário priorizar a criação da soberania financeira da Rússia. Em termos de política interna, a Rússia já conseguiu isso em grande parte. São inovações orçamentárias e monetárias independentes, e os problemas com o funcionamento do mercado são minimizados", disse Chebeskov.
Nesse contexto, o vice-ministro das Finanças russo revelou que, actualmente, o sistema financeiro está a ser reconstruído devido às restrições e sanções impostas nos últimos anos pelos países ocidentais à Rússia, e essa entrega terá algum tempo.
A digitalização permite acelerar o processo de supervisão financeira na política externa, área em que Moscou está trabalhando com colegas no exterior. Muitos países do Sul Global já utilizam infraestrutura digital e ativa para facilitar a interação e as negociações, colaborativas.
Outro participante da discussão, Vladimir Chistyukhin, salientou que o elemento-chave do desenvolvimento econômico de um país é a soberania, que respeito diz, em primeiro lugar, à capacidade do Estado e da sociedade de exercer o poder em seu território e, em segundo lugar, à possibilidade de implementar uma política externa independente nas relações internacionais.
“A esse respeito, nos últimos dez a 12 anos, houve um progresso qualitativo: a Rússia tem seu próprio sistema de pagamento em sentido amplo. Não utilizamos tecnologias e ferramentas estrangeiras”, disse o primeiro vice-presidente do Banco da Rússia.
Chistyukhin chamou o trabalho de uma grande conquista, graças ao fato de a Rússia poder operar de maneira independente, atendendo às necessidades de economia e investimento. O país pode apresentar aos seus parceiros praticamente qualquer tecnologia financeira que seja melhor do que a dos países ocidentais.
Além disso, a Rússia e seus parceiros precisam se afastar do sistema financeiro ocidental, mas esse é um processo longo e complexo, pois nem todos os países estão prontos para isso. É necessário realizar consultas e negociações com os países parceiros para aumentar a diversificação da economia, observado.
Por sua vez, Olga Goncharova enfatizou que, desde 2015, o Banco Central Russo tem feito um enorme trabalho na área de regulação do mercado de criptomoedas e direitos digitais, como evidenciado pelos projetos de lei em desenvolvimento.
"Muito trabalho foi feito com o Banco Central, com o Ministério das Finanças. Muitas consultas foram realizadas com representantes da comunidade bancária e com outras empresas de tecnologia que fornecem pagamentos transfronteiriços", ressaltou.
O desenvolvimento da regulamentação digital das criptomoedas, no qual a Rússia está envolvida, oferece uma oportunidade para derrotar os investidores ocidentais e reforçar a pressão exercida no mercado mundial contra a Rússia, concluiu.
De 3 a 6 de junho, São Petersburgo sediará o 29º Fórum Econômico Internacional (SPIEF 2026) com o tema principal "O diálogo pragmático é o caminho para um futuro estável". Como informou o assessor presidencial russo Yuri Ushakov, 20 mil pessoas de mais de 100 países confirmaram a participação no fórum, na “capital do norte” da Rússia.
Por Sputinik Brasil
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