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Ibovespa tenta recuperação impulsionado pelo minério, apesar de cenário externo desfavorável

Principal índice da B3 reage após quedas, em meio à alta do minério e tensão sobre tarifas dos EUA a produtos brasileiros.

02/06/2026
Ibovespa tenta recuperação impulsionado pelo minério, apesar de cenário externo desfavorável
ibovespa ações - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

Após cinco sessões consecutivas de queda, o Ibovespa ensaia uma recuperação parcial no início desta terça-feira, 2, em um dia de agenda econômica esvaziada. O movimento de alta ocorre mesmo diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio e pela possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com algumas exceções. Em Nova York, as bolsas buscam o campo positivo.

A valorização do principal índice da B3 é sustentada pelo avanço de 0,77% do minério em Dalian, na China, e de 0,53% em Cingapura. O petróleo, que chegou a recuar pela manhã, passou a subir por volta das 11 horas. No mercado de câmbio, o dólar opera estável, cotado a R$ 5,020, após ter atingido a mínima de R$ 5,005.

Correção técnica e semana encurtada

“O Ibovespa sobe por um momento de alívio após as recentes quedas; é um dia de correção. A semana é mais curta devido ao feriado de quinta-feira e sem nenhum driver específico”, avalia Sergio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos.

Investidores mantêm atenção ao cenário geopolítico, aguardando novidades. Nesta terça e quarta-feira, representantes de Israel e do Líbano devem se reunir em Washington para uma segunda rodada de negociações visando uma trégua.

O governo iraniano, segundo relatos, ainda não finalizou a análise da proposta americana para um acordo provisório de cessar-fogo e não apresentou resposta oficial aos mediadores das negociações.

Para Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria, apesar das notícias vindas do Irã e da resposta do presidente dos EUA, Donald Trump, o mercado demonstra maior otimismo quanto ao avanço de um acordo de paz. Na véspera, o republicano afirmou que Israel e Líbano concordaram em cessar os ataques, o que, em tese, indica retomada das negociações com o Irã.

Tarifas dos EUA e repercussão no mercado

O mercado também acompanha os desdobramentos da possibilidade de os Estados Unidos imporem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de “práticas irracionais” que “sobrecarregam e restringem” o comércio americano, o que contribui para o clima de cautela.

A medida resulta de investigação iniciada em julho de 2025 contra o Brasil, divulgada na madrugada desta terça-feira. A lista de exceções, com 73 páginas, inclui itens já isentos do tarifaço anterior, como aviões, suco de laranja e café.

Fontes ouvidas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, afirmam que o governo brasileiro trabalha para reverter a tarifa e acredita que há tempo para contornar um novo possível tarifaço. As novas tarifas de 25% estão previstas para entrar em vigor em 15 de julho, quando o governo dos EUA deverá tomar uma decisão final.

“O efeito real não é êxodo de capital, mas elevação do prêmio de risco na margem e limitação do teto de valorização. O que pesa de verdade nos fluxos segue sendo a trajetória fiscal doméstica, o Fed e o ciclo de commodities; a tarifa é ruído aditivo sobre essa base”, analisa Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Novos Negócios da Pilar Capital.

Na segunda-feira, o Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 0,91%, aos 172.197,46 pontos.

Às 11h35 desta terça, o índice subia 1,17%, aos 174.234,21 pontos, próximo da máxima do dia, quando avançou 1,33%.