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Astrônomos identificam sistema binário que pode explicar pulsos de rádio enigmáticos
Descoberta de anã branca magnetizada em sistema binário oferece primeira explicação concreta para transientes de rádio de longo período.
Um novo transiente de rádio de longo período foi rastreado até uma anã branca altamente magnetizada em um sistema binário, oferecendo a primeira explicação concreta para esses pulsos raros e lentos que intrigam astrônomos desde 2022 e revelando pistas para decifrar essa nova classe de fenômenos cósmicos.
Um sinal de rádio extremamente lento detectado no plano da Via Láctea há poucos anos inaugurou um novo mistério astronômico: os transientes de rádio de longo período (LPTs, na sigla em inglês). Inicialmente tratados como possíveis anomalias isoladas, eles começaram a surgir em diferentes regiões da galáxia, formando um pequeno conjunto de fontes que não se encaixavam em nenhum tipo conhecido de objeto celeste.
A virada veio quando uma equipe liderada por Kovi Rose, da Universidade de Sydney, conseguiu rastrear um desses sinais até uma variável cataclísmica magnética — uma anã branca altamente magnetizada que canibaliza sua estrela companheira. Pela primeira vez, um LPT pôde ser associado de forma clara a um sistema binário em acreção, oferecendo uma pista concreta sobre sua origem.

O interesse pelos LPTs havia crescido desde 2022, quando o objeto GLEAM‑X J162759.5−523504.3 foi visto pulsando a cada 18 minutos, brilhando por menos de um minuto e depois desaparecendo. A descoberta de outros objetos semelhantes mostrou que não se tratava de um caso isolado, e os astrônomos passaram a considerar hipóteses envolvendo anãs brancas magnetizadas e sistemas binários extremamente compactos.
Em 2025, um avanço importante ocorreu quando o LPT ILT J1101+5521 foi ligado a um par formado por uma anã branca e uma anã vermelha, cujos campos magnéticos colidiam e produziam pulsos de rádio. Outro objeto, ASKAP J1832‑0911, acrescentou complexidade ao emitir também raios X, sugerindo processos energéticos mais intensos do que o previsto.
A nova descoberta, ASKAP J1745‑5051, é o primeiro objeto a reunir todas essas características dispersas: emissão de rádio e raios X, uma anã branca em forte interação com uma companheira, atividade magnética intensa e acreção ativa. Observações do radiotelescópio ASKAP e de telescópios de raios X revelaram pulsos sincronizados com um período orbital de 81 minutos, confirmando a natureza binária e cataclísmica do sistema.
Dados ópticos do telescópio SOAR mostraram duas anãs brancas no local da emissão, com espectros que confirmam o período orbital. A cada órbita, a anã branca atrai material da companheira, aquecendo-o a milhões de graus e produzindo raios X, enquanto o choque entre campos magnéticos gera o sinal de rádio — um mecanismo que ajuda a explicar outros LPTs observados.
A combinação inédita de características reunidas em ASKAP J1745‑5051 dá aos astrônomos a primeira estrutura coerente para interpretar os LPTs e indica que muitos desses sinais podem ter origens semelhantes. Para a comunidade científica, a descoberta marca um passo decisivo na compreensão dessa nova classe de fenômenos cósmicos, que começa agora a ganhar contornos mais claros.
Por Sputnik Brasil
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