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Argentina pode adquirir submarinos franceses com construção no Brasil
Negociação prevê que embarcações da classe Scorpène sejam produzidas no Complexo Naval de Itaguaí, fortalecendo a indústria de defesa brasileira.
O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, anunciou que a Argentina deverá adquirir ao menos três submarinos franceses da classe Scorpène, cuja construção será realizada no Complexo Naval de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo o jornal Estadão, a visita de Mucio à Argentina ocorreu após representantes do Tesouro francês proporem um cofinanciamento entre França e Brasil para viabilizar a compra dos submarinos por Buenos Aires. O acordo prevê que a produção das embarcações aconteça no Brasil.
"Aí começa a Argentina a comprar na Europa e nos Estados Unidos coisas que poderiam comprar aqui. Então, eu falei com o presidente da República que eu precisava fazer uma diplomacia das Forças Armadas", afirmou Mucio. "O nosso submarino aqui é feito também pelo francês. Então, o submarino que ele [o governo argentino] vai comprar na França será feito aqui. O que é que nós queremos na indústria de defesa: o emprego, o imposto, o desenvolvimento tecnológico."
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), fruto de uma parceria militar entre Brasil e França, já resultou na construção de quatro submarinos convencionais. Com a entrega do Almirante Karam (S43), em novembro do ano passado, resta apenas a finalização do submarino nuclear, prevista para meados da próxima década.
Com a possibilidade de a Argentina adquirir mais três submarinos, o Complexo Naval de Itaguaí ganha novo impulso.
"Eu acho que nós precisamos fazer uma diplomacia com os militares da América do Sul para que nós procuremos as nossas convergências e as aprimoremos. Então, foi uma conversa extremamente positiva [na Argentina] e vamos ter muitas consequências."
Outro destaque da indústria de defesa nacional é o avião multimissão Embraer C-390 Millennium. Segundo Mucio, que esteve na Argentina para promover o setor, as conversas sobre a aeronave começaram "tensas", mas terminaram com a possibilidade de Buenos Aires analisar a compra do cargueiro.
"Já vendemos 57 aviões deles pela Europa toda, e os vizinhos não têm. É por isso que eu estou procurando esses vizinhos. Eles veem o avião [C-390 Millennium] na Hungria, na Arábia Saudita, mas por que os vizinhos não têm? A gente tem um financiamento, facilita. Nós estamos precisando quebrar esse gelo."
No entanto, especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontam que a compra do C-390 Millennium pela Argentina encontra obstáculos, pois parte dos componentes do avião são de origem britânica, e o Reino Unido proíbe a venda de equipamentos militares com tecnologia local para Buenos Aires.
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