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Cientistas mapeiam buraco negro minúsculo que fez uma estrela brilhar mais por 1 hora
Objeto identificado pode ser um buraco negro primordial do tamanho de um ponto final, reacendendo debates sobre a existência desses corpos cósmicos.
Astrônomos registraram, em 2019, um aumento súbito e breve no brilho de uma estrela da Grande Nuvem de Magalhães, fenômeno que pode indicar a presença de Phoebe, um possível buraco negro primordial com massa equivalente à da Lua. O evento reacende discussões sobre a existência desses objetos cósmicos raros.
O caso chamou a atenção dos cientistas ao apresentar um aumento suave de luminosidade que durou cerca de uma hora, retornando ao normal em seguida. O comportamento destoou de erupções estelares, supernovas ou outros padrões conhecidos de variação.
Após anos de investigação, a equipe liderada por Renee Key, da Universidade de Tecnologia de Swinburne, aponta que o fenômeno pode ter sido causado por Phoebe, um buraco negro primordial com apenas três massas lunares e horizonte de eventos do tamanho de um ponto final.
Buracos negros tão leves não se originam da morte de estrelas, mas podem ter surgido logo após o Big Bang, quando flutuações quânticas provocaram o colapso de regiões densas do universo primordial. Esses objetos seriam minúsculos e praticamente invisíveis, pois até mesmo a luz produzida por acreção seria fraca demais para ser detectada da Terra. No entanto, sua gravidade extrema pode curvar o espaço-tempo e gerar eventos de microlente gravitacional — breves aumentos de brilho em estrelas ao fundo.
Foi esse tipo de sinal que a Câmera de Energia Escura captou em dezembro de 2019, durante o levantamento Microlente de Buracos Negros Primordiais de Massa Asteroidal (AMPM), dedicado a detectar variações sutis de brilho em estrelas na Grande Nuvem de Magalhães. Por cerca de 60 minutos, apenas uma estrela apresentou aumento de brilho, enquanto as vizinhas se mantiveram estáveis. Eventos assim são raros e já foram associados a buracos negros de massa estelar, estrelas pouco luminosas ou exoplanetas errantes.
Para avaliar Phoebe, os pesquisadores descartaram falhas instrumentais, erupções estelares e interferências, modelando três cenários de microlente: um exoplaneta errante na Via Láctea, outro na Grande Nuvem de Magalhães e um buraco negro primordial no halo de matéria escura da galáxia. As análises estatísticas indicaram maior probabilidade de o objeto estar no halo galáctico do que entre populações estelares conhecidas.
A hipótese mais forte é a de um buraco negro primordial a cerca de 59 mil anos-luz de distância, embora ainda não se descarte a possibilidade de ser um exoplaneta errante. Como o halo da Via Láctea possui poucas estrelas, um buraco negro seria mais provável ali do que um planeta solitário, geralmente associado a regiões mais densas.
A descoberta ocorre em meio a um debate recente. Em 2026, astrônomos dos EUA e do Japão identificaram 12 possíveis microlentes em Andrômeda que poderiam ser causadas por buracos negros primordiais, mas uma equipe da Universidade de Varsóvia contestou os dados, atribuindo os eventos a estrelas comuns. O novo estudo reacende a discussão ao reforçar a possibilidade de uma população de objetos compactos de massa lunar.
Para Key e colegas, Phoebe fortalece a interpretação original dos dados do Subaru e sugere que buracos negros primordiais podem realmente existir, oferecendo pistas sobre matéria escura e sobre a física da inflação cósmica.
Por Sputnik Brasil
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