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Durigan alerta para riscos de sanções a bancos brasileiros após decisão dos EUA

Ministro da Fazenda afirma que simples alegação de contas do PCC pode gerar bloqueios no Pix e afetar instituições financeiras nacionais.

01/06/2026
Durigan alerta para riscos de sanções a bancos brasileiros após decisão dos EUA
Ministro da Fazenda, Dario Durigan,

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1) que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas como organizações terroristas pode impactar o funcionamento do Pix e dos bancos brasileiros. Segundo Durigan, basta uma alegação de que contas dessas organizações existem em instituições financeiras nacionais para que haja interferências e sanções. As declarações foram dadas em entrevista ao Jornal da Manhã, da CBN.

“As várias polícias do mundo que hoje se cooperam para enfrentar o terrorismo não estão acostumadas com esse tipo de designação. Então, com o ato em si, ele gera essa dúvida. As instituições estão agora mexendo nas suas regras de compliance”, explicou o ministro.

Durigan negou que o governo brasileiro esteja promovendo “terrorismo” informativo sobre possíveis impactos da decisão norte-americana no Pix, e classificou como lamentável que esse tipo de movimento ocorra próximo ao período eleitoral.

“A gente precisa proteger o nosso país e a soberania; o patriotismo tem que aparecer quando mais importa. O que é lamentável é ter, de novo, perto das eleições gerais – como aconteceu em 2022 – quem não tem compromisso com a democracia, com a higidez eleitoral, começar a gerar medo, preocupação na população. O que nós vamos fazer é alertar para os riscos que podem aparecer, porque esses riscos existem”, disse Durigan.

O ministro afirmou que não recebeu fundamentos da gestão de Donald Trump sobre a nova designação e reforçou que há riscos para bancos brasileiros e para o Pix, pois “medidas extravagantes geram riscos extravagantes”.

“Basta você ter uma alegação, uma visita da família Bolsonaro, uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. Aí a autoridade norte-americana pode dizer o seguinte: então esse banco está apenado, está sancionado pelo Tesouro Norte-Americano”, completou.

Durigan alertou ainda que a sanção poderia atingir bancos estatais, o que impediria operações como o Pix para essas instituições caso fossem penalizadas.

O ministro declarou que não conversou com autoridades dos EUA na semana passada, mas pretende negociar o tema nos próximos dias. Ele lembrou que o governo brasileiro já buscou cooperação com os EUA no combate ao crime organizado.

Por fim, Durigan criticou a gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo ele, à época, fintechs puderam atuar sem fiscalização adequada do BC, abrindo espaço para a entrada do crime organizado no sistema financeiro.

“O que aconteceu na gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é que foi aberta uma possibilidade de não regulação de fintechs, que ficaram autorizadas a operar no Brasil, mas não sob a supervisão do Banco Central até 2029. Isso criou um espaço um pouco anárquico para o crime organizado entrar no sistema financeiro”, afirmou.