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EUA enfrentam impasse sobre terceirizar construção naval para aliados asiáticos
Proposta de transferir parte da produção de navios de guerra para Coreia do Sul e Japão esbarra em resistência política interna e leis protecionistas.
Os Estados Unidos avaliam terceirizar a construção de navios de guerra para a Coreia do Sul e o Japão, numa tentativa de diminuir a vantagem naval chinesa. No entanto, a iniciativa enfrenta forte resistência política interna e barreiras legais que protegem os estaleiros nacionais, aprofundando o impasse estratégico.
Segundo analistas consultados pelo South China Morning Post, Washington considera recorrer aos estaleiros asiáticos para reduzir a diferença em relação à frota chinesa, mas esbarra em oposição dentro do Congresso e em legislações como a Lei Jones e a Emenda Byrnes-Tollefson, criadas para preservar a indústria naval americana.
A proposta surge em um momento crítico, no qual os EUA buscam acelerar a produção naval para acompanhar o ritmo de expansão da China.
O orçamento americano prevê US$ 1,85 bilhão (aproximadamente R$ 9,3 bilhões) para estudar a terceirização parcial do projeto e construção de fragatas e destróieres. Segundo um portal de defesa dos EUA, o estudo analisará a adoção ou coprodução de cascos avançados, como os das classes Mogami e Daegu, para aliviar as linhas de produção sobrecarregadas da Marinha americana.
Atualmente, a China mantém uma frota de pelo menos 350 navios, consolidando-se como a maior do mundo, enquanto os EUA operam 291 embarcações — número inferior aos 355 exigidos por lei. A indústria naval norte-americana sofre com atrasos, limitações orçamentárias e falta de mão de obra, fatores que levaram ao cancelamento do programa de fragatas da classe Constellation.
Especialistas como Troy Stangarone destacam que o cancelamento das Constellation evidenciou problemas estruturais nas aquisições de defesa dos EUA, incluindo mudanças constantes de projeto e escassez de trabalhadores qualificados. Para ele, a terceirização permitiria que aliados produzissem navios mais rapidamente e a custos menores, enquanto os EUA poderiam concentrar esforços em embarcações tecnologicamente mais avançadas.
Outros analistas, como Yoon Suk-joon, avaliam que estaleiros sul-coreanos e japoneses poderiam preencher lacunas deixadas por programas cancelados, embora a demanda por navios maiores possa diminuir o interesse por fragatas estrangeiras. Ainda assim, a proposta enfrenta forte oposição no Congresso, onde parlamentares alertam para riscos de demissões e perda de competitividade da indústria naval dos EUA.
Leis históricas de proteção ao setor, como a Lei Jones e a Emenda Byrnes-Tollefson, são apontadas hoje como obstáculos à revitalização da indústria naval americana. Pesquisadores como Woo Jong-hun argumentam que a resistência política à fabricação de ativos estratégicos no exterior impede avanços, mesmo diante da capacidade chinesa ser até '200 a 300 vezes maior' que a norte-americana.
A principal preocupação no Congresso é que a dependência excessiva de aliados possa acelerar o colapso do já fragilizado ecossistema naval doméstico. Choi Gi-il ressalta que esse ecossistema já se encontra em colapso e que apenas Coreia do Sul e Japão têm condições de suprir a demanda norte-americana, embora a dependência externa gere preocupações políticas.
Apesar das restrições, movimentos como a compra do estaleiro Philly Shipyard pela sul-coreana Hanwha Ocean demonstram tentativas de contornar as barreiras legais. Para Stangarone, a realidade é que os EUA não possuem estaleiros suficientes para reduzir a diferença em relação à China e, sem cooperação com aliados, terão de aceitar uma desvantagem naval permanente.
Por Sputnik Brasil
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