Geral
Reação à decisão dos EUA sobre PCC e CV expõe divisões políticas no Brasil
Enquanto Alckmin, Marina Silva e Rodrigo Pacheco criticam a classificação das facções como terroristas, Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema celebram medida. Renan Santos condena articulação com Washington.
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas provocou reações divergentes entre figuras políticas brasileiras.
Enquanto integrantes da oposição celebraram a medida e a trataram como um avanço no combate ao crime organizado, lideranças de diferentes faixas do espectro político criticaram a classificação, apontando riscos à soberania nacional, ao sistema financeiro e à própria definição de terrorismo.
Quem reprovou a decisão
O vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a atuação de integrantes da família Bolsonaro no episódio e avaliou que a decisão norte-americana pode prejudicar o Brasil, com impactos sobre o sistema financeiro e a economia, sem representar uma solução efetiva contra o crime organizado.
Para ele, o enfrentamento às facções deve ocorrer por meio de operações policiais, aperfeiçoamento da legislação e ações permanentes contra lavagem de dinheiro e sonegação. "O que lamento nesse episódio é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país", disse.
A deputada federal e ex-ministra Marina Silva (Rede-SP) também condenou a classificação dos EUA. Marina afirmou que o combate à criminalidade deve ser conduzido pelo próprio Brasil e criticou narrativas que possam abrir espaço para interferências externas.
"Para cuidar dos problemas de segurança do Brasil, quem cuida é o Brasil", declarou, acrescentando que "criar ganchos para possibilitar qualquer tipo de aventureirismo intervencionista no nosso país, isso não é tolerável."
Na mesma linha, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tachou a decisão de "equivocada" e argumentou que ela banaliza o conceito de terrorismo. Segundo o parlamentar, PCC e CV são organizações criminosas sofisticadas e perigosas, mas voltadas ao lucro ilícito, devendo ser combatidas com instrumentos específicos para o crime organizado, e não com os mecanismos reservados ao terrorismo.
Pacheco afirmou ainda que caberá ao Ministério das Relações Exteriores conduzir o diálogo com Washington sobre o tema. "Considero que essa classificação não é necessariamente uma ajuda", disse o ex-presidente da Casa alta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também criticou a articulação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro no governo americano. Em sua primeira manifestação pública sobre o caso, condenou o encontro do parlamentar com o presidente Donald Trump e o pedido para que os EUA classificassem as facções brasileiras como terroristas.
"Filho de bolsonarista que não tem vergonha de trair a pátria e pedir intervenção."
Quem comemorou
Entre os pré-candidatos à Presidência, a reação foi majoritariamente favorável. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve nos Estados Unidos e afirmou ter discutido o tema com o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, celebrou o anúncio nas redes sociais. "Grande dia", escreveu, agradecendo nominalmente ao governo americano e defendendo a cooperação internacional contra os "narcoterroristas".
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usou a decisão para criticar Lula, afirmando que os EUA tratam o PCC e o CV como terroristas, enquanto o governo brasileiro os enxergaria como "vítimas". Caiado declarou ainda que gostaria de ter tomado iniciativa semelhante caso estivesse na Presidência.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também apoiou a classificação e elogiou a articulação de Flávio Bolsonaro. Zema rejeitou o argumento de que a medida possa ameaçar a soberania brasileira, sustentando que a principal ameaça ao país vem justamente da atuação das facções criminosas.
Renan Santos foi exceção
Já Renan Santos, pré-candidato do Missão e liderança ligada ao MBL, adotou posição distinta. Embora defenda o enfrentamento duro ao crime, criticou a atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA classificando-a como "humilhação nacional" e acusando o senador de terceirizar o combate às facções. Em publicação nas redes, afirmou que "americano nenhum vai matar nossos bandidos" e exaltou o papel das forças policiais brasileiras.
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